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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Entrevista com Nawal El Saadawi, parafraseando amiga, quando perguntaram pra ela o que ela achava de mulheres do ocidente fazendo campanha contra mutilação genital feminina.

"- Você tem algum conselho para as mulheres no Ocidente que advogam pelos direitos das mulheres em outros lugares, sem permitir que essa questão dos direitos das mulheres seja instrumentalizada?

- Eu sempre digo que precisamos de solidariedade global e local - o que nós chamamos de "glocal". Mulheres no Ocidente podem nos apoiar por combater seus próprios governos, porque seus governos são aqueles que interferem em nossa vida, por ir e invadir e colonizar outros países. Ninguém pode ajudar ninguém. Ninguém pode nos ajudar no Egito - nós fizemos nossa revolução sozinhos, nós nos libertamos sozinhos. Não acredito em caridade e "ajuda". Acredito em igual troca de ideias, e networking.

- Você alguma vez tem medo quando você condena certas práticas como a MGF (Mutilação Genital Feminina) como "bárbaras", essas condenações seram apropriadas por pessoas com uma agenda anti-árabe?

- Sim, podem usar isso contra nós, para dizer que somos bárbaros e precisamos ser colonizados e civilizados. Mas eles não olham para si mesmos: na Europa e América, as mulheres são circuncizadas mentalmente. As feministas que estão atentas sobre os efeitos do patriarcado compreendem que todas estamos no mesmo barco dos perigos do patriarcado, e que a opressão das mulheres é universal."

terça-feira, 17 de julho de 2012

"Como o papai não reconhece o coletivo mulher em sua capacidade pensante, senão que à sua 'filha', esta adquire uma liderança não compartida. Ao assignarse fazer política para as mulheres através do poder que les deu o papai, algumas mulheres adquirem poder sobre o coletivo de mujeres, mas não fazem política de mulheres e desde as mulheres."


 - margarita pisano, as regalonas do patriarcado



(isso explica a fundo a institucionalização, a incapacidade de encontrar-nos (a auto-destruição dos encontros e espaços de mulheres), nossa aceitação dos teóricos gays e masculinos da pós-modernidade e nossa apenas capacidade de legitimação por meio deles e das vozes masculinas (derrida, foucault, deleuze), nossa identificação com a masculinidade pensante e aceitação destas mulheres neste marco simbólico (butler, preciado, aquela das masculinidades lésbicas), nossa briga entre nós mesmas para sermos as únicas e as verdadeiras-feministas, nossa colonização pela heterosexualidade obrigatória acadêmica, institucional, estatal, emfim nossa incapacidade de fugir profundamente do marco simbólico patriarcal: a feminilidade).