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domingo, 22 de julho de 2012

Como e a quem(s) amar também são decisões políticas


desnaturalizando o 'amor'...

vínculos: um tema central no feminismo.
não consigo entender poliamor fora de contexto de dominância masculina.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

este é o meu aborto

mulher tirou fotos do próprio aborto para desmistificar as fotos que se fazem dos abortos e se exibem nas campanhas cristãs, com fetos despedaçados e etc, e para fortalecer as mulheres que além de estarem criminalizadas, ainda tem que passar por uma série de discursos e imagens construídas sobre o abortamento. Ela tirou com câmera de celular de maneira escondida e exibiu na internet para sacar as experiências sempre negativizadas que se difundem do abortamento, e da relação das mulheres com próprio corpo e aborto. Muito massa. Veja mais em  http://www.thisismyabortion.com/

sábado, 16 de junho de 2012


Impedir consciência de classe/ da opressão (coletiva)/ consciência coletiva/ políticas de identidade é a maneira de impedir que sujeit*s descubram que não possuem liberdade e que precisam traçar uma luta coletiva. Performance, queer, feminismo fun individualista e coisas na perspectiva de transformar qualquer coisa no âmbito privado numa "agenda de direitos" e qualquer prática privada numa "minoria", e inverter grupos com privilégios em oprimidos, na perspectiva da "restrição da liberdade" (não sendo a toa que as primeiras paradas gays dos EUA tinha participação de grupos pedófilos organizados, para quem quiser ler sobre isso busque artigo de Adrienne Rich, Sobre Mentiras, Segredos e Silêncios), com relativismo extremo, são ilusões do exercício democrático oferecidos pelo sistema liberal globalizado que permaneceu como a única alternativa possível de sociedade livre, capitalista, e só grupos com poder de definição da realidade bancado pelo privilégio material de classe e de cor podem usufruir da comodidade "democrática" no sistema capitalista. E o restante, os movimentos populares sociais, os Estados prog coptam... e a burguesia progressista se entretém com marcha das vadias, marcha lgbt, a única beneficiária desse sistema podre, a única responsável de colonizar com suas merdas teóricas.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

escravidão moderna

“Eu libertei uma centena de escravos. Eu poderia ter libertado umas centenas mais se apenas el*s soubessem que eram escravos”. Harriet Tubman. via thefreeslave

(“I freed a thousand slaves. I could have freed a thousand more if only they knew they were slaves.” Harriet Tubman)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Gênero como discurso institucional braço do genocídio ecológico e biodiversidade

Quero desenvolver um pensamento elaborado sobre isso porque acho que há uma conexão quase umbilical entre os discursos pós-modernos e de gênero e a cegueira para a violência da globalização e colonização tecnológica que estão fodendo (literalmente, já que o Patriarcado se expressa pela violação simbolica, institucional e materialmente) nossas biodiversidades, países, gentes, bichinhos, plantas, florestas, recursos naturais de nossa necessidade, terra, e "países" (conceito nacionalista ruim, mas se entenderem como territorialidades está bom já). Acho que me faltam ligar as peças, e também talvez conseguir lograr uma visão mais "holística" (como fala Marti Kheel) e integrada de todos fatores.

Algumas autoras mais contemporâneas que teorizam o Ecofeminismo me parecem boas (o ecofeminismo mais político é o que mais me ressoa, mas também gosto do ecofeminismo da 1a onda, das deusas e mitos e da compreensão simbólica mulher=natureza, que chamam de essencialista e até diferencialista, gosto de cacilda rodrigañez bustos também, mas esses tem uma compreensão bem geopolítica que me abre a cabeça toda vez que leio) ops, continuando depois desse enorme parênteses, são Maria Mies, Vandana Shiva e Marti Kheel, a primeira alemã, envolvida com os incidentes de Tchernobil e a resistência do ativismo alemão contra as usinas nucleares e que fala do papel dos movimentos de mães (é tremenda essa feminista! consigam algo dela vale muito a pena, há um texto dela num livro chamado Feminismo Alemão ou algo assim), a segunda indiana e a terceira é pioneira do feminismo vegano, unindo os temas, primeira que deu uma virada na mesa dos ambientalistas e animalistas masculinistas e uniu ecofeminismo com a ética animal... escreveu também sobre medicina ocidental alopática e sobre éticas holísticas.


Eu não consigo ver como o discurso de gênero pós-moderno pode nos ajudar a resistir a invasão dos transgênicos, à biopirataria, que valore saberes originários e cura com plantas, que resista frontalmente aos ataques aos corpos das mulheres por meio da engenharia genética voltada para os hormônios, a hormonização das mulheres, as políticas de controle reprodutivo racistas e imperialistas aplicadas as mulheres negras e pobres de 3o mundo, os testes farmacêuticos realizados em pessoas terceiromundistas e negras e de cor e que seguem sendo testados, os governos que os respaldam, as políticas de saúde que respalda isso tudo, a invasão dos corpos das mulheres com essas merdas, a guerra verde e o capitalismo verde, o imperialismo verde de Monsanto e outras e o aprofundamento dos latifundios e da violência no campo. Por que?

Por que essa gente não pode se contradizer. Eles dizem que tudo é agência e escolha individual, e que criticar essas tecnologias é monitoramento e polícia feminista. Eles respaldam essas tecnologias, dizem que gênero é uma, e que não há algo como uma Natureza, que é um discurso, que não vivemos de modo natural (e por acaso eu pude escolher outro modo de viver senão invadida pelos produtos sintéticos? Onde nasci?) então como vamos falar em agressão ambiental, em uma lógica orgânica, inerente, natural, na vida? Se tudo é discurso? Anomalias genéticas, cânceres, também são uma interpretação? É um discurso sobre a Natureza dizer que as tecnologias impôem risco a saúde sexual e reprodutiva? As tecnologias reprodutivas empoderam as mulheres? Corpos são próteses, "todas fomos cirurgiadas"?

Conceitos de agência, individualismo liberal, discursos pós-modernos e sua cumplicidade gritante com a colonização tecnológica de nossos corpos, meio ambiente e vidas. Respaldo Ideológico da Globalização Tecnológica Patriarcal.

Sinceramente pessoas, essa história pós-moderna de que "não existe uma natureza, isso não passa de um discurso" possui implicações éticas que tinhamos que estar atenta na hora de escolher nossas compreensões da realidade. Esta no caso, é produzida no contexto atual ao meu ver, e anda ao lado da nova noção de "agência" liberal. Esse discurso é muito favorecido num contexto de novas tecnologias que dominam nossas vidas, principalmente tecnologias reprodutivas, sexuais e seu papel clássico no controle das mulheres. Sem falar da tecnologia médica, farmacêutica, e seu império, especista, patriarcal, racista, e que se tratam de um campo de Poder, e não se enganem com as mentiras ou discursos produzidos pelos mesmos, de que existem para salvar nossas vidas ou melhorá-las, esse discurso é uma fachada, a tecnologia é uma maneira de construir hegemonia e poder pelos grupos de sempre que destroem o planeta. Aí vem a galera pós-moderna aí, "subversivamente" mutante, e fala que entender os usos de tecnologias farmaceuticas, médicas e ginecológicas, industriais, é uma polícia feminista? gente, não. Natureza existe. É algo bem real. Não é discursivo, é fenomenológico: você faz uma merda com seu corpo, ele reage. A reação é uma defesa e já é cura, por mais sofrida que possa parecer, até mesmo as formas de adoecer podem ser entendidas dessa maneira, por paradoxais que sejam no caso do adoecimento psíquico (ou os tais "transtornos mentais", de humor etc). A lógica é: quanto mais próximo do vital, melhor, seja com os alimentos ou nossas vidas. É uma leitura sobre meu corpo, a reação dele aos químicos e industriais, mas minha leitura não é só um relativismo fenomenológico. Eu leio dentro dum contexto patriarcal, mas é uma coisa bem real que esse meu "corpo", essa "natureza", reage contra uma coisa real que é um "dano", físico no caso. Com esse tipo de justificativa fornecida pelo mesmo sistema que nos vende suas merdas, justificamos também que tudo é relativo, e que eu como feminista é apenas uma escolha pessoal que eu não injeto hormônios que regularizem ou controlem ou impeçam minha menstruação, que não uso absorventes industriais, mas as demais mulheres, é escolha sua se elas quiserem implantar-se um lance de hormonio por meio de cirurgia, para pararem de menstruar, e depois morrerem ou melhor, serem mortas pela política de ódio patriarcal contra nossos corpos. Não dá, desculpa feministas de 3a onda, eu não acredito nisso e podem me chamar de impositora e totalitária, mas não dá mesmo. Eu prefiro ainda a Deusa que o Ciborgue, "Dona Haraway"... É um ataque total às mulheres.



(a desenvolver mais. Pontos: especismo do império farmacêutico. racismo do império farmacêutico e das políticas reprodutivas, misoginia das teorias pós-modernas e ódio aos corpos das mulheres como eles são, compreender o ciclo medicinal agressão aos corpos-venda dos medicamentos como ataque aos corpos das mulheres, e tentar entender por que as argumentações pós-modernas em torno ao uso das tecnologias como beatriz preciado, haraway e os feminismos influenciados pela teoria de discurso e análise de discurso são tão liberais e por que são tão respaldados e difundidos, que papel jogam eles na instalação desse regime democrático ocidental patriarcal e capitalista e por que ninguém vê que isso é óbvio. Emfim lembrem-me de alongar esse post).

sobre liberalismo, agência e escolhas das mulheres

"Era uma vez, no início desta onda do feminismo, existia um consenso de que as escolhas das mulheres eram construídas, sobrecarregadas, emolduradas, debilitadas, constrangidas, limitadas, coagidas, formatadas, etc. pelo patriarcado. Ninguém propôs que isso significasse que as escolhas das mulheres são determinadas, ou que as mulheres eram passivas ou vítimas desamparadas do patriarcado. Isso era porque muitas mulheres acreditavam no poder do feminismo para mudar as vidas das mulheres e, obviamente, as mulheres não poderiam mudar se elas fossem socialmente determinadas nos papéis ou fossem massas maleáveis nas mãos dos patriarcas. Nós até falamos sobre maternidade compulsória e, sim, heterossexualidade compulsória! Nós falamos sobre as maneiras nas quais mulheres e jovens garotas eram calejadas na prostituição, acomodando a si mesmas no espancamento masculino, e eram canalizadas em empregos mal pagos e sem saída. E a mais moderada entre nós falou sobre a socialização do papel sexual. As mais radicais escreveram manifestos detalhando a construção patriarcal da opressão das mulheres. Mas a maioria de nós concordava que, chameo-o como quiser, as mulheres não estavam simplesmente “livres para ser eu e você”.
O tempo passou, e veio acoplada essa visão mais “matizada” do feminismo. Ela nos disse para prestarmos atenção à nossa linguagem de mulheres como vítimas. Mais mulheres foram para escolas profissionais e de graduação, tornarnaram-se “mais inteligentes”, foram recebidas no tribunal, foram para a academia, e se tornaram especialistas em indispostos tipos de campos. Elas compartilharam do poder que os deuses masculinos tinham criado e “viram que isso era bom”. Elas começaram a dizer coisas como “… Um grande cuidado necessita ser tomado para não retratar mulheres como incapazes de decisões responsáveis” (Andrews, 1987: 46).
Algumas mulheres acreditaram serem estas palavras familiares, que elas haviam as ouvido antes, mas as analistas do discurso feminista não pareciam particularmente interessadas em registrar o retorno ao que as feministas “antiquadas” classificaram como o discurso liberal patriarcal. Elas disseram que isso era chato e fora de moda e, além do mais, as mulheres já ouviram o suficiente disso, e era depressivo. Não vamos ser simplistas e culpar os homens, elas disseram, uma vez que essa análise “oferece tão poucos pontos de alavancagem para a ação, tão poucos pontos de entrada imaginativos por visões de mudança” (Snitow e outro/as, 1983: 30)."


(...)

"‎Com a “vinda da idade” desta onda particular do feminismo, nós temos visto um deslocamento do radicalismo feminista ao liberalismo feminista. Esse liberalismo feminista é tanto causa quanto efeito da chamada pró-pornografia feminista e dos movimentos libertários sexuais feministas. O liberalismo sexual que tem vindo a ser definido como “feminismo”, nós estamos agora testemunhando novamente na esfera reprodutiva. Existem várias comparações que podem ser feitas entre liberais sexuais e reprodutivos, especialmente em suas reinvindicações da pornografia e das novas tecnologias reprodutivas. Eu quero iluminar uma dessas comparações aqui, especificamente como ambos os grupos utilizam a retórica do “direito à escolha” da mulher. Ambos liberais sexuais e reprodutivos têm investido em um antigo discurso liberal sobre a escolha com um conteúdo novo e supostamente feminista. Os liberais sexuais estão inconfortáveis em focar as mulheres como objetos e vítimas da supremacia masculina. Eles invocam uma linguagem de ir “além” das maneiras nas quais os homens objetificam, exploram e vitimizam mulheres (não a qualquer realidade de como mulheres sobrevivem por causa de suas ligações com outras mulheres, no entanto). Eles teriam-nos a tomar um “grande passo a frente” nas formas pelas quais as mulheres são agentes de, por exemplo, seus status na pornografia ou seus papéis enquanto representantes de reprodução. Raciocinando que porque as mulheres escolhem a pornografia ou a maternidade por substituição, eles argumentam que as mulheres precisam dessas “escolhas” para serem livres."




Janice Raymond, Liberalismo Sexual e Reprodutivo

Para ler o texto todo traduzido, clique em http://delivreacesso.wordpress.com/2012/02/06/liberalismo-sexual-e-reprodutivo/

Acho um bom texto para pensar a história de "agência" que agora, pelo que parece, está de moda nos escritos acadêmicos, e principalmente no feminismo de 3a onda e em nossas práticas.

Chego a pensar que o único feminismo que pode existir no capitalismo é aquele mais próximo da utopia "democrática" capitalista-liberal, onde tudo que fazemos é escolha e responsabilidade individual, liberdades aqui lidas como "consumo" pessoal. Neste sentido, propostas supostamente alternativas ou que até mesmo se reivindicam "radicais" como o queer, são facilmente assimiladas.

O problema é que, esse poder de definição da realidade descansa num privilégio de classe... quem define a realidade feminista de agora assim são feministas brancas e de classe média. Quem não tem privilégio de classe e cor não se privilegia tanto dessa história de agência. Privilegia quem está inserido neste capitalismo contemporâneo "democrático", e que pode consumir sua liberdade de mercado, exercer suas identidades privadas, etc. Mesmo assim coletivamente, qualquer um@ pode pensar que essa história beneficia a tod@s. Afinal o trabalhador não é coagido por algumas pressões institucionais e discursivas, a pensar que é explorado pelo patrão porque escolheu e que essa relação é igual, e que as classes sociais existem porque algumas pessoas simplesmente possuem mais dinheiro que você e isso é aceitável?