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quinta-feira, 19 de julho de 2012



"O Processo de Acontabilidade (Responsabilização) muitas vezes faz muitos bens mas muitas vezes ele apenas ensina os homens a parecerem não-abusivos quando nada mudou a não ser pelas palavras que saem da sua boca. Sobreviventes e amig*s são deixad*s pensando se ser chamado homem não é mais uma ameaça. Eventualmente a questão recua da cabeça das pessoas porque elas não querem ser muito reacionárias e não saem que passos mais sequer tomarem e o perpetrador está apto a continuar em suas vidas sem mudarem qualquer coisa"  


- Billy Kaye, é o Homem Anarquista nosso Camarada?
“Se você é um homem e você não está pronto para mudar radicalmente, então eu não preciso de você na minha vida mais. Se você é uma mulher, qualquer mulher, então estou pronta para chamar você de minha irmã e ajudá-la e lutar por você.” Molasses
o corpo da mulher como espaço de disputa

O interesse dos homens e libertários no feminismo acaba reproduzindo a mesma metáfora masculinista onde os corpos das mulheres são objeto de disputa como metáfora da união desejada, assim como os Estados Nacionais frequentemente remetem-se a imagens femininas para simbolizar a união nacional. Os corpos das mulheres simbolizam o pacto e solidariedade entre homens. A Prostituição, enquanto sistema social, é expressão mais clássica do rito da masculinidade.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

macharquistas (ou 'homens radicais')

Pessoas, eu queria entender por que eu me sinto agredida por essa imagem abaixo:



Eu vi isso e automaticamente achei um des respeito e uma coisa machista, mas acho que no contexto que vivo bombardeado pelo feminismo póspósposss minha reação seria tachad
a de discriminatória. Aí pensei um pouco, eu não sei se é justo traçar um paralelo, mas assim, minha condição de gênero é bastante opressiva. Chega um macho e faz 'performance' se apropriando dos signos opressivos para mim, impostos por uma sociedade machista, e diz que "gênero não existe" (discurso que faz com que eu seja tachada de essencialista se eu digo que eu o vivo na pele, e que faz eles esconderem privilégio e nos calarem dizendo que 'eles não tem gênero'). Sinceramente, eu acharia agressivo e des respeituoso se eu quisesse 'apoiar' pessoas negras e afro-descendentes e pintasse meu rosto de negro, usasse roupas características de sua tradição e identidade, e posasse com um cartaz escrito "Foda-se a raça", mesmo para apropriação de coisas da cultura de povos originários, e outras. Por que a coisa inverteu e quem é intolerante agora é quem acha esse tipo de discurso abaixo opressivo e sem responsabilização real que era o que esperavamos que homens solidários pudessem fazer, reconhecendo seus privilégios?


De repente meu analise está errado com a comparação entre raça e sexo que pode ser oportunista. Mas ainda assim vou manter aí vocês me ajudam qualquer coisa.

Outra é que esse tipo de vestimenta e tal é construida pelo patriarcado, a própria feminilização, não é parte de uma cultura nossa no caso, mas ainda assim muitas mulheres não possuem escolha senão vestir-se assim, nós feministas ainda escolhemos e com alguma dificuldade, não nos depilar e etc, e algumas que mantemos muitas caracteristicas da feminização e recusamos um feminismo misógino que cria uma cobrança de renunciar a socialização pra sermos "mulheres reais" ou "fortes", e ourta também acho agressivo com travestis e transexuais esse tipo de performance de gênero. Nota-se que o sujeito não está em transição nenhuma, deve ser até mesmo ht, e mesmo que seja gay é um homem gay, memso que queira renunciar a masculinidade eu acho um absurdo porque ele ainda retém privilégio de sua masculinidade, sabe depois ele tira essa roupa toda e é "homem", pra ele eh uma escolha e inclusive um privilégio, fica engraçado, ridículo, etc, e heróico fazer isso, e pra gente nao, a gente nao tem como simplesmente tirar uma roupagem e andar na rua sem ser um alvo ou sermos a categoria social 'violável'. Portar um gênero é semelhante a um estigma, eles não vivem essa condição. Ainda é patético, eles podem se apropriar, achei inclusive misógino sei lá, eu sempre acho agressivo quando homens se vestem de mulheres, é geralmente uma arma de humor normativo a coisa de homens se vestirem de mulher, porque é engraçado, coisa que só reafirma os lugares de sexo existentes.

Ser feminina não é uma escolha. As mulheres ht no mercado de trabalho predatório, que tem que esconder sua orientaçao sexo afetiva, sua masculinização, ou serem obrigadas a serem apresentáveis... não há tanta escolha assim. É muito difícil superar essa socialização. a gente se propôe mas é um processo largo desconstruir. 


A adoção de queer e de performatividade para distrair da posição de privilégio que ocupam por parte de homens libertários é ainda  uma expressão da heterossexualidade masculina, de modo a não perderem seu direito de acesso as mulheres que é a posição básica de privilégio conferida pela masculinidade. Por isso falam que não existe mais gênero. Assim novamente eles podem nos mandar à fogueira por 'excluir' eles... e continuam movendo as garotas umas contra as outras, com o resquício de colonização da feminilidade que resta em todas, que voltam elas em umas polícias do ativismo não divisionista e excludente, do essencialismo feminista.


Pra mim esse ato, vindo de homens que ocupam privilégio, é violação em metáfora e invasão de outro modo, é ainda mesma estética, de apropriação dos corpos de mulheres, e invasão de seus espaços. De minar espaços e encontros onde a existência masculina não seja possível. Também é um modo de apagar as mulheres, de negar lesbianismo tambem e impedir que este apareça para ameaçar eles.

Os homens se sentem mais "livres" se vestindo "de mulher", coisa de quem ocupa posição de privilégio. As pessoas confundem opressão com repressão, e num paradigma liberal tudo vira repressão e agenda de direitos, e até identidades, nao tem mais nada haver com grupos concretamente oprimidos. Parece que agora qualquer coisa pode virar uma identidade ou política de identidade, e reclamar uma agenda de direitos... (até o feminismo totalmente arbitrário de 'cada um com seu feminismo' é um estilo de vida).


O fato da imagem ser "sarcástica" e causar tipo surpresa, tipo como algo anormal, bizarro e até mesmo engraçado ou ridículo, só reforça a construção de que o natural é que ele é homem. Essa imagem nao desconstrói nada. Só reforça privilegio masculino. Heterossexuais sempre fazem festas de trocar roupa, sempre vira uma coisa reaçionária pra quem já foi em uma, inclusive homo e lesofobica, com as garotas hetero fazendo estereotipos grosseiros das mulheres lésbicas e masculinizadas, e os caras que se fazem de gays e depois no outro dia voltarão a ser homem, sabe tudo aquilo é só "zoera", a heterossexualidade está garantida... pra quem é bicha e sapatão isso não é uma comédia, a gente não tem conformidade de gênero já, e isso não é engraçado, pra eles é. Essa é a diferença. Isso é sobre o que privilégio e tê-los é.

terça-feira, 17 de julho de 2012

consenso ou consentimento?

Qual conceito é pior, consenso ou consentimento? Pensava que o último era muito contratualista e machista, e implicava coerção, mas o consenso também remete a âmbitos de decisão coletivizada onde desaparece a individualidade. O consentimiento neste caso remete a campo de poder individual de decisão. Mas eu ainda não gosto de nenhum. "Consensual" me remete a algo mais igualitário, construído conjuntamente e democrático que "consentido" que parece responsabilizar a vítima ou pôr tudo em cima do sujeito (ele tem agência, sabe o que tá fazendo, está decidindo que arque com as consequencias).

Achei um poster interessante ontem, uma das primeiras coisas que vi criticando o processo de acontabilidade visivelmente, por not your cyster press. Segue abaixo, logo uma tradução (tamanho maior aqui, o pdf do cartaz).



"Toque me e eu te mato" "o processo de responsabilização é uma fraude porque muitos sobreviventes são forçados a re-viver seus assaltos sempre e sempre, e estupradores e assaltantes sexuais são dados um passe em sua violência, acontabilidade comunitária é uma mentira porque a comunidade em si mesma é uma mentira. Ao invés disso, nós oferecemos uma solução modesta para o processo que cria e mantém nossa vitimização: Vamos recusar-nos a sermos vítimas. Vamos fazê-los sofrer."


Acho tendenciosa a justiça transformativa. Mas isso não significa que não seja necessário fazer o debate sobre um feminismo aboliconista penal e carcerário. Formas de justiça popular e comunitária são possíveis e melhores. Mas devem estar nas mãos das mulheres e visar que os homens perdam. Isso rende outro post sobre feminismo anti penal.

intelecto proibido a oprimida

"Um exemplo deste tipo de revelação/conceptualização ocorreu em uma juntada na qual discutimos as maneiras em que nossos interesses intelectuais haviam sido atacados por nossos iguais, em particular pelos homens Negros. Todas descobrimos que porque eramos “inteligentes” também nos consideravam “feias”, isso é, “inteligente-feia” Ser “inteligente-feia” pôs em evidência que todas havíamos sido obrigadas a desenvolver nossos intelectos ao grande custo das nossas vidas “sociais”. As sanções das comunidades Negras e brancas contra as pensadoras Negras são muito altas em comparação às mulheres brancas, em particular às educadas de classe média e alta." (manifesto rio combahee river)



Os homens sempre são massa quando são intelectuais. A identificação com a intelectualidade é uma linguagem da guerra (vencer, retórica, argumentos, disputa, lógica, razão). garotas burguesas privilegiadas também são maneiras quando são principalmente queer-academicas com vocabulario arrojado falando só o que o sistema quer ouvir. o conhecimento que parte de nossa experiência, vivência e corpo sempre foi desvalorizado. daí partiu a teoria feminista. falam que somos ilegítimas e desqualificadas em nosso 'método'. Que o feminismo antigo é ilógico (segunda onda), essencialista, universalizante, e qualquer outra nota de não ter passado no exame vestibular da pertença ao patriarcado branco neoliberal. ser mulher pensante de verdade é arriscado. Se ainda pensamos o que o sistema quer, nos gratificam. Não ser pertencente à verborragia trendie burguesa pseudo-prog universitariazante significa não ser ouvida e não estar dizendo nada. 'a mulher não existe', afinal.

por que anarquismo adotou queer

pergunta da minha amiga: "por que os anarquistas adotaram o queer?", e "mas o anarquismo critica as modas, por que?". Bom eu acho que somos capazes de responder essa questão. Que vocês acham?

minha tese é de que as esquerdas, assim como os estados, as instituições, e todo mais que seja dominado por homens, valem-se do conceito de gênero e do inclusivismo acrítico queer já que, emfim são dominados por homens. Também não é mais preciso brigar pelos próprios espaços, ficarmos feias e mau com ninguém. depois eu acho que o anarquismo virou uma moda e foi comercializado também e foi apropriado pelo mercado, então as duas coisas andam juntas.

(emfim parágrafo anterior pode ser extendido e elaborado na reflexão)

O que queria mesmo entender é como desde as experiências mais clássicas do anarcofeminismo, abolicionistas, seja emma goldmann a mujeres libres, os 'anarkxpomo' foram virar legalistas da prostituição e adotar a história de 'trabalhadoras sexuais'. Pra mim isso também tem haver com dominancia masculina anarquista e o heterocentrismo das anarkafeministas (mesmo as bissexuais e 'lésbicas' que talvez não cheguem a identificar-se assim). Não entendo porque as companheiras jogam fora sua história na real, se a história de mulheres anarquistas, libertárias e revolucionárias está marcada pelo separatismo e pela autonomia em relação aos homens, e na abolição da prostituição. Emfim vamos resgatar nossas herstórias...

quinta-feira, 14 de junho de 2012

1o post sobre Políticas Liberais do Consentimento Sexual (pois quero escrever algo longo)

Eu ando bem irada com essa onda agora de consentimento, coisa que anda sendo difundida em meio anarquista principalmente de classe média, atravessado das coisas mais podres e violentas, e agora histórinha de "responsabilização do agressor", que retira todo contexto de Poder Masculino coletivo que femnistas discutiam há anos. 1o, que o prórpio conceito é extremamente machista e nunca poderia ser reivindicado numa política feminista. O conceito de consentimento significa que as mulheres dizem "sim" e podem dizê-lo, a despeito das pressões existentes, acho muito estranho operar com essa história. Outra que consentimento remete a idéia de propriedade, tipo "dou meu consentimento para que use algo x". Então o cerne é bem machista. Vou propôr uma fórmula pra vocês, pra ver se vocês conseguem concluir facinho: os meios dos pseudo libertários dos macho alfa e mulheres colonizadas pela misoginia que se fascinam tanto pela cultura masculina identificada desses espaços como pelos sujeitos e espaços (que são um antro de arrogância e exclusão em muitos níveis) e reproduzem socialização que sofremos de mães, cuidando dos caras dos espaços e etc, como toda esquerda sempre fez com as mulheres, começaram a cada vez mais haver uma visibilidade das agressões nestes ambientes, e típicas histórias conhecidas por muita gente de caras manipulativos com garotas vulnerabilizadas, e mais garotas se organizando mais autonomamente, caindo fora, e, automaticamente você vê circularem várias publicações algumas assustadoras chamadas "10 conselhos para acusados de agressão sexual" onde o cara escreve falando que foi uma falsa acusação mas mesmo assim o herói vai expôr os pontos para recomendar... outros homens acusados a como portarem-se... de modo a que? Já tiveram várias ativistas (Tamara Kooper, Courtney Desiree Morris, coisa que não verão ser difundidas por essa galera) descrevendo suas experiencias de abuso em movimentos ativistas, e elas desmascaram essas pessoas com as condutas abusivas que possuem MESMO, que não é naturalização, e como eles são carismáticos e escrevem literatura sexista ou falam em linguagem emprestada (apropriada das) do feminismo para divulgarem-se como anti-sexistas, emfim e aí eu entro no site dessas distribuidoras """anarquistas""" e se vc vai buscar alguma literatura feminista ali... no máximo vai encontrar uma parte de "genero-queer" e ali você vai encontrar todos os fanzines de "responsabilização"... quando surgem as primeiras denuncias de agressão, já aparecem essas literaturas de responsabilização de agressores e consentimento, não que de repente não tenha um lado de responsabilização (que feministas já discutiam - a responsabilização é serem reconhecidos como agentes da violencia que sao, os homens, e a penalização, porque o contrário respalda comportamento) mas o tema é como toda essa literatura dá a entender que a violência sexual é uma situação totalmente sem contexto de Poder **Masculino** principalmente, que com o papo queer desapareceu e é até crime apontar que são certos sujeitos que instauram socialmente e que efetivam esse tipo de política... ('somos todxs iguais....').







Comecei a ler essa literatura para ver se apropriava alguma coisa para uma oficinas com mulheres lésbicas sobre agressões, mas quando vejo mulheres, principalmente heteros, entrando em contato com essa literatura elas são levadas a pensar... como elas devem delimitar seus limites... e dizer o seu "sim"... honestamente, era o que faltava. Mulheres trabalharem questões para não serem agredidas. Emfim, continuo em outros posts.

Processo de Responsabilização? Separatismo do it better!

Na antiga política feminista... se você estava com um agressor... as mulheres podiam estar no âmbito da escolha. Escolher se separar totalmente do agressor, desidentificar-se dele, de projetos conjuntos, de um espaço... formar o próprio. Começar nova vida. Descolonizar-se da misoginia, da heterossexualidade se possível... Hoje com o papo queer, os agressores devem sofrer um "processo de responsabilização" e serem até mesmo perpetuados num espaço politico... a menina não vai mais ser estimulada a terminar esse vínculo e buscar seu próprio espaço político com outras mulheres... elas podem reformá-los, com o processo de responsabilização. Vamos agradecer outra vez a nossa querida revolução queer, que tanto nos libertou da tirania do feminismo "policial" que criticava as práticas prejudiciais às mulheres e recuperou o direito das instituições de erotizá-los com seus veículos hegemônicos, ops, direitos privados de consumir tais produtos sociais colonizatórios, racistas, classistas, branco e cooptadores de movimentos críticos.


Vamos recuperar a lição das separatistas: homens só vão mudar individualmente com a perda da relação, com a perda do acesso às mulheres. E coletivamente, com a separação das mulheres com relação à eles, construindo comunidades de mulheres. É nisso que eu ainda aposto, ainda que vocês me chamem essencialista por isso. depoimento de uma garota sobre como "processo de responsabilização" existe pra manter privilégio masculino de homens dentro de comunidades políticas... óbvio. Há quanto tempo as feministas não vem falando que não existe essa de "tratar" violência doméstica com terapia? Quem que ia acabar revivendo esse tipo de modelo violento pras mulheres, senão as tais "comunidades 'radicais' queer"...

Para o grau de difusão dessa literatura, principalmente pelas supostas alternativas radicais que são os movimentos de consumo alternativo de classe média que é o punk veganista queer anarco misógino, que ando vendo, precisava um post bem longo. E vai sair

Para quem quiser ver, eu vou upando algumas coisas que vejo na internet de sobreviventes nessas comunidades relatando suas experiências de segundo abuso com esses "processos de responsabilização" (vejam que esses anarko criticam sistema judicial falam que é segundo abuso com sobreviventes enfrentá-lo, porque são contra a polícia, coisa que certamente também sou, mas ninguém tá discutindo o abuso que é pra sobrevivente ser pedida para não "estereotipar" seu agressor, e as energias invertidas em responsabilizá-lo...) Vejam Accountability Process Disaster e o texto de Tamara Kooper, Espaços Ativistas não são Espaços Seguros para Mulheres.

Feministas amadas, a história do feminismo é que nós rompemos nos anos 70 com a esquerda. As feministas negras romperam com os Panteras Negras. As feministas sempre vão radicalizar e firmar seu movimento autônomo. Até as anarquistas da 1a onda fizeram isso, elas eram auto-organizadas. Chega de trabalhar pra esquerda. Chega do papel materno. Abaixo a heterossexualidade obrigatória. Vamos formar comunidade entre mulheres.

O problema da violência nas comunidades políticas tem haver com algo estrutural. A esquerda ou movimentos progressistas em geral (por isso entendo e inclui todas experiências políticas ou ativistas ou militantes mistas que sejam contra um regime político dominante) falham em algo inicial, que é que sempre vão tomar, por algum tema de privilégio masculino, o tema do sexismo como algo complementário, num ambito reformista, e quando tomam coomo algo estrutural é como um discurso, na prática eles nunca soltam as tetas das mães, nós mulheres, e as mulheres nunca deixam desse papel materno e de donas da casa e nunca deixam de trabalhar pra eles, por isso se atraem pela proposta de reformar os agressores, ao invés de fazer o luto de uma identidade e espaço político para inverter energia na construção das próprias comunidades feministas e de mulheres. O poder masculino só vai aprender perdendo acesso as mulheres, o Estado nunca vai conceder nossa libertação assim como os homens não vão dar nossa liberdade, só nossa autonomia pode nos dar. Já quanto a violência nas comunidades feministas e lésbicas, esse é um capítulo a parte... mas sempre me parece sintoma de auto agressão e coisas que invisibilizam são ao mesmo tempo nossa falta de éticas feministas, mas também nosso extremo essencialismo otimista as vezes.

O poder masculino só vai ser desconstruido por meio da perda do acesso as mulheres, onde se baseia seu privilegio, e não pela educação, porque não queremos mais ser educadoras nem nutridoras. Nao vai ser desconstruido por performance de gênero, que só oculta ainda mais os privilégios, senão é mais uma expressão do privilégio masculino, porque só os homens podem nesse sistema político, identificarem-se com a feminilidade, categoria criada pela supremacia masculina e categoria opressiva, como uma forma de "liberação" ou como empoderamento, é um privilégio masculino transitar e a nova versão liberal do feminismo é pensar que podemos também ter os privilegios deles, transitando adquirimos poder nenhum tampouco e nao passa duma ilusão de empoderamento e nojo do espelho, porque somos mulheres, um coletivo específico nao uniforme, mas sim coletivamente afetado por um traço compartido. nao reconhecermo-nos como mulheres nao ajuda em nada no 1o passo que é ganhar consciencia de classe para mover coletivamente por uma transformaçao estrutural, individualmente não reconhecer como mulheres pode nos deixar mais tranquilas, mas coletivamente parece a repetição da história de desidentificar-se da mãe subordinada, fonte de vergonha pra filha rebelde.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

"Dizer que gênero não existe é muito machista"

meu amigo gay, recém se introduz nas discussões feministas e recém se reinvidica pró-feminista, conseguiu resumir duma maneira impressionante tudo que as pessoas estão levando mil artículos para explicar. Disse ele:


"Essa coisa que dizer que não existe gênero é muito machista". 


Gente fiquei impressionada com o nível de síntese. É nem a história de democracia racial, "Ah eu não sou racista porque sua cor não importa, na verdade eu não vejo diferença". O pessoal da "abolição do gênero" caem na mesma ingenuidade extremamente atravessada por privilégios, de dizer que "o gênero não importa, foda-se o gênero". Devíamos ter vergonha de reproduzir algo assim. Agora nós, as "essencialistas" aqui, feministas que vão dizer que quando falamos de gênero falamos que uma coisa é afetada pela construção social de uma realidade sexista, ou seja de classes homem e mulher, e homens definindo a realidade, e falamos que não se pode acabar com o sistema de gênero com simples auto-sugestão e performance, nós que somos as discriminatórias e sexistas... as "essencialistas". As que ainda acreditam nessa coisa de gênero. "sabe, somos todxs iguais".

não é nosso papel educar ninguém sobre nossa opressão

"As mulheres de hoje ainda estão sendo chamadas a atravessar a fenda da ignorância masculina e educar os homens sobre nossas existências e nossas necessidades. Essa é uma ferramenta velha e arcaica usada por todos os opressores para manter as oprimidas ocupadas com as preocupações do senhor. Agora temos ouvido que é tarefa das mulheres de Cor educar mulheres brancas – frente à tremenda resistência – sobre nossa existência, nossas diferenças, e nossos respectivos papéis em nossa sobrevivência conjunta. Isso é um desvio de energias e uma trágica repetição do pensamento racista patriarcal (...) como Adrienne Rich afirmou em uma palestra recentemente, as feministas brancas empenharam-se enormemente em educar-se sobre elas mesmas nos últimos dez anos, então como não se educaram também sobre mulheres Negras e as diferenças entre nós – brancas e Negras – quando isso é a chave para nossa sobrevivência enquanto movimento?." Audre Lorde, as ferramentas do mestre nunca vão desmantelar a casa grande