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quarta-feira, 25 de julho de 2012

prisões regulam o sexo na sociedade

prisão: sistema social também criado para regular o lugar social do gênero. o lugar social feminino. por essência misógina, são criminalizadas e presas: mulheres imigrantes, mulheres que se prostituem, mulheres que abortam, mulheres que matam agressores, mulheres empobrecidas, mulheres negras, mulheres que furtam ou portam drogas, muitas vezes por necessidade, mulheres responsabilizadas outra vez, com suas 'infrações' sendo produtos da reestruturação produtiva global, a prisão culpa a vítima como o velho machismo, também são presas mulheres em envolvimento político subversivo, porque o trabalho político também rompe essencialmente o papel de gênero atribuído. São criminalizados movimentos sociais, são criminalizadas as ocupações urbanas, são criminalizad@s aqueles que nelas estão. Mulheres mães, mulheres são deportadas, as prisões são soluções artificiais para problemas gerado por imigrações, ela também tá relacionado com os sistema prostituinte que também capta as mulheres em diáspora na globalização. as prisões devem acabar.

terça-feira, 24 de julho de 2012

O privilégio é todo seu

“Se você participa consciente ou inconscientemente na opressão da sua companheira negra e ela te critica, responder a sua ira com a sua somente servirá para que nossa comunicação se converta em um intercâmbio de hostilidades. Será uma perda de energías, pois não permitiremos aprender umas com as outras, e sim criar uma batalha entre nós para impor nossa verdade”.


- Audre Lorde.


Digo o mesmo para as hetero e poli feministas.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Entrevista com Nawal El Saadawi, parafraseando amiga, quando perguntaram pra ela o que ela achava de mulheres do ocidente fazendo campanha contra mutilação genital feminina.

"- Você tem algum conselho para as mulheres no Ocidente que advogam pelos direitos das mulheres em outros lugares, sem permitir que essa questão dos direitos das mulheres seja instrumentalizada?

- Eu sempre digo que precisamos de solidariedade global e local - o que nós chamamos de "glocal". Mulheres no Ocidente podem nos apoiar por combater seus próprios governos, porque seus governos são aqueles que interferem em nossa vida, por ir e invadir e colonizar outros países. Ninguém pode ajudar ninguém. Ninguém pode nos ajudar no Egito - nós fizemos nossa revolução sozinhos, nós nos libertamos sozinhos. Não acredito em caridade e "ajuda". Acredito em igual troca de ideias, e networking.

- Você alguma vez tem medo quando você condena certas práticas como a MGF (Mutilação Genital Feminina) como "bárbaras", essas condenações seram apropriadas por pessoas com uma agenda anti-árabe?

- Sim, podem usar isso contra nós, para dizer que somos bárbaros e precisamos ser colonizados e civilizados. Mas eles não olham para si mesmos: na Europa e América, as mulheres são circuncizadas mentalmente. As feministas que estão atentas sobre os efeitos do patriarcado compreendem que todas estamos no mesmo barco dos perigos do patriarcado, e que a opressão das mulheres é universal."
"Portanto, a escravização de mulheres, combinando tanto o racismo como o sexismo, precedeu à formação das classes e da opressão de classe. As diferenças de classe eram, no início, expressas e constituídas em termos de relações patriarcais. A classe não é um constructo separado do gênero; antes, a classe é expressa em termos de gênero" - Gerda Lerner

terça-feira, 17 de julho de 2012

intelecto proibido a oprimida

"Um exemplo deste tipo de revelação/conceptualização ocorreu em uma juntada na qual discutimos as maneiras em que nossos interesses intelectuais haviam sido atacados por nossos iguais, em particular pelos homens Negros. Todas descobrimos que porque eramos “inteligentes” também nos consideravam “feias”, isso é, “inteligente-feia” Ser “inteligente-feia” pôs em evidência que todas havíamos sido obrigadas a desenvolver nossos intelectos ao grande custo das nossas vidas “sociais”. As sanções das comunidades Negras e brancas contra as pensadoras Negras são muito altas em comparação às mulheres brancas, em particular às educadas de classe média e alta." (manifesto rio combahee river)



Os homens sempre são massa quando são intelectuais. A identificação com a intelectualidade é uma linguagem da guerra (vencer, retórica, argumentos, disputa, lógica, razão). garotas burguesas privilegiadas também são maneiras quando são principalmente queer-academicas com vocabulario arrojado falando só o que o sistema quer ouvir. o conhecimento que parte de nossa experiência, vivência e corpo sempre foi desvalorizado. daí partiu a teoria feminista. falam que somos ilegítimas e desqualificadas em nosso 'método'. Que o feminismo antigo é ilógico (segunda onda), essencialista, universalizante, e qualquer outra nota de não ter passado no exame vestibular da pertença ao patriarcado branco neoliberal. ser mulher pensante de verdade é arriscado. Se ainda pensamos o que o sistema quer, nos gratificam. Não ser pertencente à verborragia trendie burguesa pseudo-prog universitariazante significa não ser ouvida e não estar dizendo nada. 'a mulher não existe', afinal.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

escravidão moderna

“Eu libertei uma centena de escravos. Eu poderia ter libertado umas centenas mais se apenas el*s soubessem que eram escravos”. Harriet Tubman. via thefreeslave

(“I freed a thousand slaves. I could have freed a thousand more if only they knew they were slaves.” Harriet Tubman)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Gênero como discurso institucional braço do genocídio ecológico e biodiversidade

Quero desenvolver um pensamento elaborado sobre isso porque acho que há uma conexão quase umbilical entre os discursos pós-modernos e de gênero e a cegueira para a violência da globalização e colonização tecnológica que estão fodendo (literalmente, já que o Patriarcado se expressa pela violação simbolica, institucional e materialmente) nossas biodiversidades, países, gentes, bichinhos, plantas, florestas, recursos naturais de nossa necessidade, terra, e "países" (conceito nacionalista ruim, mas se entenderem como territorialidades está bom já). Acho que me faltam ligar as peças, e também talvez conseguir lograr uma visão mais "holística" (como fala Marti Kheel) e integrada de todos fatores.

Algumas autoras mais contemporâneas que teorizam o Ecofeminismo me parecem boas (o ecofeminismo mais político é o que mais me ressoa, mas também gosto do ecofeminismo da 1a onda, das deusas e mitos e da compreensão simbólica mulher=natureza, que chamam de essencialista e até diferencialista, gosto de cacilda rodrigañez bustos também, mas esses tem uma compreensão bem geopolítica que me abre a cabeça toda vez que leio) ops, continuando depois desse enorme parênteses, são Maria Mies, Vandana Shiva e Marti Kheel, a primeira alemã, envolvida com os incidentes de Tchernobil e a resistência do ativismo alemão contra as usinas nucleares e que fala do papel dos movimentos de mães (é tremenda essa feminista! consigam algo dela vale muito a pena, há um texto dela num livro chamado Feminismo Alemão ou algo assim), a segunda indiana e a terceira é pioneira do feminismo vegano, unindo os temas, primeira que deu uma virada na mesa dos ambientalistas e animalistas masculinistas e uniu ecofeminismo com a ética animal... escreveu também sobre medicina ocidental alopática e sobre éticas holísticas.


Eu não consigo ver como o discurso de gênero pós-moderno pode nos ajudar a resistir a invasão dos transgênicos, à biopirataria, que valore saberes originários e cura com plantas, que resista frontalmente aos ataques aos corpos das mulheres por meio da engenharia genética voltada para os hormônios, a hormonização das mulheres, as políticas de controle reprodutivo racistas e imperialistas aplicadas as mulheres negras e pobres de 3o mundo, os testes farmacêuticos realizados em pessoas terceiromundistas e negras e de cor e que seguem sendo testados, os governos que os respaldam, as políticas de saúde que respalda isso tudo, a invasão dos corpos das mulheres com essas merdas, a guerra verde e o capitalismo verde, o imperialismo verde de Monsanto e outras e o aprofundamento dos latifundios e da violência no campo. Por que?

Por que essa gente não pode se contradizer. Eles dizem que tudo é agência e escolha individual, e que criticar essas tecnologias é monitoramento e polícia feminista. Eles respaldam essas tecnologias, dizem que gênero é uma, e que não há algo como uma Natureza, que é um discurso, que não vivemos de modo natural (e por acaso eu pude escolher outro modo de viver senão invadida pelos produtos sintéticos? Onde nasci?) então como vamos falar em agressão ambiental, em uma lógica orgânica, inerente, natural, na vida? Se tudo é discurso? Anomalias genéticas, cânceres, também são uma interpretação? É um discurso sobre a Natureza dizer que as tecnologias impôem risco a saúde sexual e reprodutiva? As tecnologias reprodutivas empoderam as mulheres? Corpos são próteses, "todas fomos cirurgiadas"?

Conceitos de agência, individualismo liberal, discursos pós-modernos e sua cumplicidade gritante com a colonização tecnológica de nossos corpos, meio ambiente e vidas. Respaldo Ideológico da Globalização Tecnológica Patriarcal.

Sinceramente pessoas, essa história pós-moderna de que "não existe uma natureza, isso não passa de um discurso" possui implicações éticas que tinhamos que estar atenta na hora de escolher nossas compreensões da realidade. Esta no caso, é produzida no contexto atual ao meu ver, e anda ao lado da nova noção de "agência" liberal. Esse discurso é muito favorecido num contexto de novas tecnologias que dominam nossas vidas, principalmente tecnologias reprodutivas, sexuais e seu papel clássico no controle das mulheres. Sem falar da tecnologia médica, farmacêutica, e seu império, especista, patriarcal, racista, e que se tratam de um campo de Poder, e não se enganem com as mentiras ou discursos produzidos pelos mesmos, de que existem para salvar nossas vidas ou melhorá-las, esse discurso é uma fachada, a tecnologia é uma maneira de construir hegemonia e poder pelos grupos de sempre que destroem o planeta. Aí vem a galera pós-moderna aí, "subversivamente" mutante, e fala que entender os usos de tecnologias farmaceuticas, médicas e ginecológicas, industriais, é uma polícia feminista? gente, não. Natureza existe. É algo bem real. Não é discursivo, é fenomenológico: você faz uma merda com seu corpo, ele reage. A reação é uma defesa e já é cura, por mais sofrida que possa parecer, até mesmo as formas de adoecer podem ser entendidas dessa maneira, por paradoxais que sejam no caso do adoecimento psíquico (ou os tais "transtornos mentais", de humor etc). A lógica é: quanto mais próximo do vital, melhor, seja com os alimentos ou nossas vidas. É uma leitura sobre meu corpo, a reação dele aos químicos e industriais, mas minha leitura não é só um relativismo fenomenológico. Eu leio dentro dum contexto patriarcal, mas é uma coisa bem real que esse meu "corpo", essa "natureza", reage contra uma coisa real que é um "dano", físico no caso. Com esse tipo de justificativa fornecida pelo mesmo sistema que nos vende suas merdas, justificamos também que tudo é relativo, e que eu como feminista é apenas uma escolha pessoal que eu não injeto hormônios que regularizem ou controlem ou impeçam minha menstruação, que não uso absorventes industriais, mas as demais mulheres, é escolha sua se elas quiserem implantar-se um lance de hormonio por meio de cirurgia, para pararem de menstruar, e depois morrerem ou melhor, serem mortas pela política de ódio patriarcal contra nossos corpos. Não dá, desculpa feministas de 3a onda, eu não acredito nisso e podem me chamar de impositora e totalitária, mas não dá mesmo. Eu prefiro ainda a Deusa que o Ciborgue, "Dona Haraway"... É um ataque total às mulheres.



(a desenvolver mais. Pontos: especismo do império farmacêutico. racismo do império farmacêutico e das políticas reprodutivas, misoginia das teorias pós-modernas e ódio aos corpos das mulheres como eles são, compreender o ciclo medicinal agressão aos corpos-venda dos medicamentos como ataque aos corpos das mulheres, e tentar entender por que as argumentações pós-modernas em torno ao uso das tecnologias como beatriz preciado, haraway e os feminismos influenciados pela teoria de discurso e análise de discurso são tão liberais e por que são tão respaldados e difundidos, que papel jogam eles na instalação desse regime democrático ocidental patriarcal e capitalista e por que ninguém vê que isso é óbvio. Emfim lembrem-me de alongar esse post).

não é nosso papel educar ninguém sobre nossa opressão

"As mulheres de hoje ainda estão sendo chamadas a atravessar a fenda da ignorância masculina e educar os homens sobre nossas existências e nossas necessidades. Essa é uma ferramenta velha e arcaica usada por todos os opressores para manter as oprimidas ocupadas com as preocupações do senhor. Agora temos ouvido que é tarefa das mulheres de Cor educar mulheres brancas – frente à tremenda resistência – sobre nossa existência, nossas diferenças, e nossos respectivos papéis em nossa sobrevivência conjunta. Isso é um desvio de energias e uma trágica repetição do pensamento racista patriarcal (...) como Adrienne Rich afirmou em uma palestra recentemente, as feministas brancas empenharam-se enormemente em educar-se sobre elas mesmas nos últimos dez anos, então como não se educaram também sobre mulheres Negras e as diferenças entre nós – brancas e Negras – quando isso é a chave para nossa sobrevivência enquanto movimento?." Audre Lorde, as ferramentas do mestre nunca vão desmantelar a casa grande

Por que o racismo é uma questão feminista?

"A razão pela qual racismo é uma questão feminista é facilmente explicada pela inerente definição de feminismo. Feminismo é a teoria política e prática que luta para libertar TODAS mulheres: mulheres d cor, trabalhadoras, pobres, descapacitadas, lésbicas, idosa - assim como brancas, economicamente privilegiadas, heterossexuais. Qualquer coisa menos que essa visão de liberdade total não é feminismo, mas apenas auto-agrandecimento feminino.
Deixe-me deixar claro que neste ponto, antes de ir mais além, algo que você têm que entender. Mulheres brancas não trabalham no racismo para fazer um favor a alguém, apenas para benefício das mulheres terceiromundistas. Você tem que compreender como racismo distorce e reduz nossas próprias vidas assim como mulheres brancas - que racismo afeta suas chances de sobrevivencia também, e que é realmente definitivamente uma questão sua também. Até que você entenda isso, nenhuma mudança fundamental vai acontecer.

Eu também sinto que o movimento de mulheres vai lidar com o racismo numa maneira que não havia sido lidado antes em qualquer outro movimento: fundamentalmente, organicamente, e não-retoricamente. Mulheres brancas têm uma relação materialmente diferente com o sistema do racismo que os homens brancos. Elas escapam menos deste e muitas vezes funcionam como seus peões, independente se reconhecem este fato ou não. Isso é algo que viver sob o reinado branco-masculino nos impôs; e derrubar o sistema do racismo é um trabalho inerente ao feminismo e, por extensão, dos estudos feministas"

Barbara Smith, “Racism and Women’s Studies”, All the Women are White, all the Blacks are Men, But Some of Us Are Brave.





Sempre que eu posto por aí escritos sobre feminismo pensar o racismo, e assumí-lo como questão central, as feministas brancas nunca dão muita bola. Eu gostaria de ver isso mudar, porque precisamos muito pensar sobre isso. O racismo como uma estrutura social política, é inerente ao Patriarcado, a Supremacia Masculina é inerentemente Branca, e nossos esforços são inúteis se não destruímos os dois simultaneamente. Devíamos começar a desconstruir essa história de que só nos interessamos no feminismo branco e que o feminismo negro é ininteligível pra gente e é um feminismo de certos sujeitos e unicamente destes. Obviamente que estou falando de nós, feministas brancas.

domingo, 10 de junho de 2012

Por que me nomeio lésbica por Cheryl Clarke

"Eu me nomeio 'lésbica' porque essa cultura oprime, silencia e destrói as lésbicas, mesmo as lésbicas que não chamam a elas mesmas como 'lésbicas'. Eu nomeio a mim mesma 'lésbica' porque eu quero ser visível para outras lésbicas negras. Eu nomeio a mim mesma 'lésbica' porque eu não quero subscrever-me à heterosexualidade predatória/institucionalizada. Eu me nomeio lésbica porque eu quero estar com mulheres (e elas todas não têm que chamarem-se a si mesmas 'lésbicas'). Eu me nomeio 'lésbica' porque é parte da minha visão. Eu nomeio a mim mesma lésbica porque ser mulher-identificada foi o que veio me mantendo sã. Eu chamo a mim mesma 'Negra', também, porque Negra é a minha perspectiva, minha Estética, minhas políticas, minha visão, minha sanidade" - 


- Cheryl Clarke, em "Novas Notas em Lesbianismo".