"Eu nunca tocaria uma pessoa sem seu consentimento, então onde o consentimento não estivesse imediatamnete presente, eu o manufaturaria o melhor que pudesse."
- Manufaturar o Consenso, pode ser estupro? , texto de um cara, sobre como condutas de flerte se tornam agressões sexuais.
interessante pra quem tá acolhendo o lance de consentimento agora. recomendaria que fosse lido por lésbicas também.
condenamos o estupro e a agressão sexual como problemas longínquos, até acostumadas pelas torrentes de uptades em facebook contra a cultura de estupro, e as mídias como estereotipam estupradores e estupro. e não pensamos nunca como essas coisas podem estar tão próximas a nós.
nas relações íntimas podem haver muitas condutas de coerção para se ter o que se necessita, pode haver abuso passivo, pressão, drama, chantagem, no marco mesmo da feminilidade clássica.
as feministas falam em leis ou em criar novos códigos penais (que é uma merda, não passam dum braço do estado, e claro, é algo que vem da agenda das feministas brancas), as feministas anarchas e independentes falam em fazer escracho, em alguns lados o escracho também tá colonizado pelo heroismo justiceiro machista, serve como descarga até pra um povo fora da experiência, mas trabalho profundo e contínuo parece que não acontece. muitas vezes o agressor continua por aí sem mudar merda alguma, e a sobrevivente vai ter que lidar com o que passou de qualquer jeito, e não significa que esteja protegida. Debate coletivo e apropriação comunitária das experiências de justiça e criação de justiça, não se vê. Criar ferramentas a partir das experiências, tampouco.
Primeiro, trabalho de prevenção não ocorre. Vamos seguir pensando as agressões como algo que não pode acontecer com nós - seja de qual lado possamos estar. Não vamos pensar as raízes das condutas e como as reproduzimos ou criamos ambientes que as facilitem.
Obviamente a cultura constrói as condições para os abusos sexuais, e a socialização da Masculinidade quase a torna compulsória - pornografia, amigos, e a necessidade de provar que é homem.
Não acho que todo abuso sexual é um acidente, como parece pintar o processo de responsabilização, tampouco. Acho que muitas vezes vem de uma postura de privilégio masculino e Poder que recusam-se os homens a repensá-la ou abdicá-la. Violência e femicídio também são estruturais.
As oficinas de consenso me parecem um instrumento interessante para educar sobre abusos e podermos orientar um@s aos Outr@s, é aquela coisa 'a sociedade ensina como evitar estupro, não ensina como não estuprar'. Eu também cresci tendo que ouvir meus pais dizendo que tinha que me cuidar, acho que foi aí que virei 'feminazi'...
O abuso sexual não é apenas aquela imagem dos filmes, a coerção explícita. Esta sim existe, mas existem talvez as mais perigosas, as silenciosas, as bondosas. Ainda a confiança é o espaço onde ocorrem os abusos.
Andamos conseguindo aceitar, ver e lidar com os "nãos"? Orientamos e criamos ambientes onde haja consciência de que as interações devem ser consensuais de maneira completa?
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sexta-feira, 27 de julho de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
poliamor não pode ser um projeto lésbico ou feminista, pois sua origem é hetero-masculina-esquerdista e não genuinamente nossa. Precisamos de expressões próprias e novas de relações
Com relação à "amor livre" e "poliamor", minha ética feminista é ética de [auto] cuidado, e vem primeiro, porque mulheres vem primeiro para as éticas feministas e lésbicas. Porque a história e herstória nos mostrou que se não lutamos por nós mesmas, ninguém o fará, e não podemos esperar das revoluções, partidos, estados e organizações mais que a apropriação do nosso trabalho revolucionário no mais das vezes, assim que colocamos o feminismo e as mulheres em primeiro, nos colocamos em primeiro.
Porque é assim a ação direta de mulheres para desconstruirmos o ódio entre nós, contra nós e auto-ódio. Então eu me cago na ética anarquista, liberal. Poligamia é e foi o regime mais comum do Patriarcado, no qual se baseava a estrutura do harém. O acesso a muitas mulheres é de uma tradição machista.
Acredito que o medo a intimidade, que já vem herdado das relações capitalistas e de propriedade privada (bem disseram os teóricos do absolutismo e marquês de sade outro teórico que funda a modernidade, "o homem é o lobo do homem" na ideologia desta ordem social em que vivemos, o outro é um estranho e não me reconheço nele, mais fácil me identificar com o discurso da empresa que com @ outr@ trabalhad@r), é potencializado pelas políticas pós-modernas sexuais que vêm colonizando as comunidades lésbicas e lGBT. Seja com as teorias queer ou com outras ondas de pós-porno, etc. A promiscuidade se tornou uma agenda política de primeira ordem no lesbianismo, tanto que em alguns encontros o único que se debate agora são práticas sexuais, reproduzindo novamente a idéia hetero-patriarcal de que lesbianismo não é sobre resistência política e sim sobre sexo, logo, nada ameaçante a sociedade.
A destruição da possibilidade de cumplicidade íntima entre mulheres é uma maneira de destruir nossas comunidades e à nós mesmas, reduzindo a sexualidade a um mecanicismo grosseiro e impedindo vinculos profundos entre mulheres. Recuperando as sensações de medo e competição que já vem nos destruindo como comunidade de mulheres.
Considero quase sempre a relação aberta, uma forma de agressão e tortura psicológica mutuamente consentida num contrato coercitivo liberal e machista. Vejo que historicamente, as mulheres não tiveram segurança. Elas não podem esperar nada de um relacionamento também, ainda mais depois da contra-cultura sexual dos 70, é ser retrógrada não aceitar ser mais um objeto de troca entre homens liberados. Essa liberação privilegiada-masculina deles não é a mesma liberação que nós necessitamos.
Não temos construções de relações substanciais porque são uma ameaça ao sistema. É preferível que nos instrumentalizemos.
Relações são sobre responsabilidade, segurança, contenção também, e precisamos admitir isso. Neste mundo lesbofóbico, misógino e de capitalismo extremamente violento e vulnerador, temos necessidade de amparo mútuo e comunitário acentuado.
Emprestar expressões machistas e masculinas de anarco-movimentos já criticados pelas mulheres que neles estiveram na história, e principalmente da contra-cultura sexual (Revolução Sexual) dos 70 que não passou de um Backlash às mobilizações e avanços feministas e de mulheres, possui riscos para nós. E não passam senão de uma estratégia machista pra colonizar nossas comunidades com ódio mútuo.
Pra muitas feministas, a alternativa à relação de "pareja" é a pobreza relacional, como maneira de proteção pessoal bastante liberal. Eu não tenho nenhum acordo com essa história de que temos que ser "sozinhas", "autônomas" num sentido bem pervertido e liberal, que é o de 'única culpada de tudo'. "Lide isso você mesma". A raiva de mulheres é justificada, muitas vezes o que chamam de ciúme é reivindicação de responsabilidade e igualdade de decisões em uma relação, compromisso com o que os vínculos implicam. E implicam muita coisa.
Ninguém é 'sozinha', no sentido liberal, de que existe uma auto-subsistência totalmente individual. É preciso redefinir autonomia para não cair nos paradigmas falsos liberais que pretendem culpar a vítima e desolar sujeitos. É certo que sem sujeito não há libertação, mas tampouco sem comunidade não há libertação real e coletiva.
Sob capitalismo o apoio mútuo da relação amorosa se impôe como necessidade de auto preservação, auto defesa e sobrevivência, isso pode implicar mais vulnerabilidade e relações de dependência que podem gerar desamparo e violência doméstica, isolamento.
Minha proposta é que ao invés de uma parceria amorosa única, as lésbicas possam ter acesso a uma comunidade de mulheres onde se sentirão fortes, seguras e inteiras. Assim se quebra a monogamia, não com polícia moral anarquista e suas teses falcatruas de sempre.
O conceito de "parejo", muito criticado em língua espanhola para referir-se às relações de dependência mútua ou de simbiose dissolutiva do individual, para mim não remete somente a essa noção demonizada por feministas [liberais] e anarquistas, e sim se algo é "parejo", é porque está "igual", ou seja, "igualitário", se diz. A idéia de que "a pessoa que se arranje, os sentimentos de insegurança são delas" é incrívelmente anti solidario e liberal "isso é problema seu", foda-se você. Já a idéia de fazer toda essa merda com "cuidado" me parece o mesmo que violar com "cuidado", para que o escravo sinta-se satisfeito com o tirano da relação. A raiva de mulheres e lésbicas com esse tipo de hostilidade me parece justa, é a raiva da injustiça de coisas que não são igualitárias, que chamam 'ciúme', termo naturalizante.
Comparar o 'ciúme' com a violência machista me parece ridículo, que é uma política de ódio e não vem da natureza. Mulheres precisam sentir segurança, vivemos em contextos de vulnerabilidade. Homens não sentem isso, sentem necessidade de assegurar sua Masculinidade que se expressa pela apropriação das mulheres, seu controle e seu acesso. O término da relação é mais revolucionário que a reformação com a relação aberta. A primeira é ataque frontal a monogamia, a segunda é um reformismo grosseiro.
(reflexões não teminadas e em processo de construção)
domingo, 22 de julho de 2012
the spinster and her enemies...!
"Você prefere garotos ou garotas?".
"Eu não gosto de garotos!!"
"Eu gosto de Netflix" (sei lá que porra é essa)
"e pássaros!"
assim é um ser saudável e autônomo que a sociedade corrompe pra tornar em um ser sexuado e submisso...
autonomia sexual.
"Eu não gosto de garotos!!"
"Eu gosto de Netflix" (sei lá que porra é essa)
"e pássaros!"
assim é um ser saudável e autônomo que a sociedade corrompe pra tornar em um ser sexuado e submisso...
autonomia sexual.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
este é o meu aborto
mulher tirou fotos do próprio aborto para desmistificar as fotos que se fazem dos abortos e se exibem nas campanhas cristãs, com fetos despedaçados e etc, e para fortalecer as mulheres que além de estarem criminalizadas, ainda tem que passar por uma série de discursos e imagens construídas sobre o abortamento. Ela tirou com câmera de celular de maneira escondida e exibiu na internet para sacar as experiências sempre negativizadas que se difundem do abortamento, e da relação das mulheres com próprio corpo e aborto. Muito massa. Veja mais em http://www.thisismyabortion.com/
quarta-feira, 18 de julho de 2012
+ sobre porno e colonização da comunidade lésbica
não existe nenhuma possibilidade de sobrevivência das mulheres e lésbicas por meio da pós-pornografia e pornografia, ou da terrorpornografia ou o que seja. Essencialmente a pornografia é degradação da mulher e do Outro, não existe nenhuma possibilidade de recriar-nos e a nossa sexualidade colonizada e tomada, nossos corpos e imaginários tomados, depois de séculos de violências e violações racistas brancas e de atrocidade masculina, por meio da pornografia. A pornografia destruiu a comunidade lésbica, como queria o patriarcado. Você não pode esperar nenhuma solidariedade ou amor de uma outra mulher, o patriarcado re-semeou o ódio entre as mulheres, a heterosexualidade. A ética e a estética da pornografia é a negação do outro em sua fundação. Nâo existe mais nenhuma definição própria da lesbianidade que reste, que não seja a patriarcal e não a da comunidade mulheres, a definição de que eramos sobre resistência coletiva ao heteropatriarcado e cumplicidade entre mulheres, a unica definição que restou é a masculina, de que somos sexo.
Quando me mostrem sites de pornografia feminista europeus, é isso que penso da apropriação da pornografia, um instrumento de dominação patriarcal. Não tenho interesse de me apropriar nem da pornografia, nem da prostituição, nem do escravismo, nem do Estado, nem das leis, não tenho interesse em ressignificar nada que tenha sido criad* pelo patriarcado, tenho interesse em criar novas coisas. Acho uma distração. Já não há esperança de encontrar na comunidade feminista qualquer relação profunda entre nosotras, de conhecimento mútuo profundo, proteção, segurança, a pornografia tornou as mulheres sozinhas e isoladas outra vez uma das outras. A comunidade lésbica não significa mais nada sobre ética de amor entre mulheres, de construir um mundo diferente. Devemos ao feminismo liberal individualista queer burguês e sua libertação sexual lésbica que agora nossa comunidade já está livre do compromisso entre mulheres anti-poliamor.
a gente já não pode rejeitar essencialmente e radicalmente a violência e a degradação, a gente só pode negociar, com as armas e linguagem patriarcais e capitalistas, do consentimento, do consenso, consentimento em degradar-me ou degradar o Outro. Não existe construção de relação igualitária. Eles são os verdadeiros essencialistas, ao dizer que a sexualidade é essencialmente degradação e só nos resta negociar, com palavras seguras, para sobrevivermos por meio desse sexo. Tudo é resumido a um contratualismo liberal sexual, abolir formas de sexualidade opressivas não é possível.
Esta é uma questão ética, não é uma questão privada.
Esta é uma questão ética, não é uma questão privada.
pornografia não é nenhuma solução para lesbicas
lesbianismo é, por essência e definição, a contra-lógica fálica
Me mandaram isso http://www.cuerposlesbianos.net/ , um site de pós-pornografia lesbiana ou algo assim. E pediram uma opinião.
Então olhei as fotos com cuidado, pensei no lado de quem faz e na proposta transformativa ali presente, as motivações feministas, pró-sexualidade... pensei. E ao final o que penso é mais ou menos assim pra começar:
O que penso da pós-pornografia é que ela distorce as coisas, e que ela é extremamente privilegiada, branca e burguesa, além de 1o mundista. Primero ela faz parecer que o problema das lésbicas é apenas sexual, assim sexual reduzido a prática sexual. E a visibilidade é sexual também com relação a consumo, direito ao consumo de determinas sexualidades, construídas. PArece que oferecem uma imagem de alternativa, de anti-estética, mas a estética ta ali presente. São garotas não magras, algumas tem pelos nas axilas, etc, mas isso nao muda o conteúdo de classe da coisa. A pornorgafia muda a realidade de quais lésbicas? Eu acho que essas são europeias, brancas, e tem grana, acesso a internet... Sabe eu penso, o orgasmo mais intenso ou múltiplo ou diferente ele muda a realidade coeltiva das lésbicas? Nosso problema é sexual? A negação da sexualidade lésbica é destruída e combatida pela pós-pornografia, ou esse mesmo espaço está colonizado pelas tentativas de destruí-la? Que estética prevalesce ali? Eu vejo muitos dildos, acessórios, e o sexo em ambientes públicos e etc, o jogo é uma solução para quem? Que tipo de 'libertação' traz o jogo, as estéticas alt, ou a apropriação da agressão ou a ressignificação do falo, sabe eu acho que essas pessoas pensam que a libertação se dá no nível individual ou das sensações, do sentir-se livre para isso ou aquilo, eu acho que é uma noção de liberdade mercantilizada.
A liberdade de consumir ou fazer ou ser, acessível a tod@s. Tipo os homens como classe tem acesso a corpos de mulheres na pornorgafia e prostituição. Da onde que a solução disso é eu acessar a minha 'também', tipo agora na prateleira do mercado eu sou contemplada, o nicho lésbico. Emfim, eu acho que fato de consumir essas imagens não muda a realidade coletiva de que os homens consomem as imagens pornograficas porque hegemonicamente e institucionalmente, é preciso instaurar determinadas sexualidades, e determinada sexualidade masculina, com fins de dominação... e que também são corporações e redes inteiras que lucram das pessoas prostituídas, do tráfico e etc. Eu não sei se coletivamente a pornografia 'feminista' ou lésbica, liberta, e nem se ajuda a criar um imaginário não falocentrico e não heterossexual para nós. Eu acho que não é possível imaginar enquanto há pornografia, não é possível viver a sexualidade pra fora dos marcos estabelecidos pelo sistema, enquanto há pornografia, não é possível descolonizar-nos enquanto há pornografia.
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quarta-feira, 13 de junho de 2012
Políticas Radicais da Masturbação - post 1
Se você pensa que o sexo que você faz com alguém além de você mesma é melhor ou mais interessante que o sexo que você pratica com você mesma, algo vai bem mal.
Só a masturbação cria sujeitas livres.
Só a masturbação nos libertará.
Você é a sua primeira amante, lembre-se disso.
Se você não for uma boa amante para você mesma, você só encontrará tiranas.
Ninguém tem mais poder e conhecimento da sua sexualidade que você mesma.
Nenhuma autoridade sobre seu sexo.
As amantes são apenas companhias que se escolhe para compartilhar nossa própria sexualidade, rica para nós mesmas. Também podem nos ajudar a enriquecer em auto-conhecimento, mas dificilmente mais que você mesma.
Nada pode. Nenhuma instituição médica, sexológica, psiquiátrica, educacional, nenhum discurso tem mais conhecimento da sua sexualidade que você mesma. Morte a todo autoritarismo sexual. Queime a pornografia, liberte o espaço da masturbação da colonização. Desconstrua os discursos. A masturbação não é copia de nenhuma sexualidade nem substituto. A masturbação é seu original, é a fundação da sexualidade de cada uma. A recuperação de autonomia, a cura do abuso, a descolonização cultural e a criação de um novo imaginário que nos libertará.
"A masturbação é a nossa vida sexual básica. É a base sexual. Tudo o que fazemos além da masturbação é simplemente a maneira que escolhemos para socializar nossa vida sexual" Betty Dodson, Liberating Masturbation. Retirado de Relatorio Hite, Shere Hite.
Só a masturbação cria sujeitas livres.
Só a masturbação nos libertará.
Você é a sua primeira amante, lembre-se disso.
Se você não for uma boa amante para você mesma, você só encontrará tiranas.
Ninguém tem mais poder e conhecimento da sua sexualidade que você mesma.
Nenhuma autoridade sobre seu sexo.
As amantes são apenas companhias que se escolhe para compartilhar nossa própria sexualidade, rica para nós mesmas. Também podem nos ajudar a enriquecer em auto-conhecimento, mas dificilmente mais que você mesma.
Nada pode. Nenhuma instituição médica, sexológica, psiquiátrica, educacional, nenhum discurso tem mais conhecimento da sua sexualidade que você mesma. Morte a todo autoritarismo sexual. Queime a pornografia, liberte o espaço da masturbação da colonização. Desconstrua os discursos. A masturbação não é copia de nenhuma sexualidade nem substituto. A masturbação é seu original, é a fundação da sexualidade de cada uma. A recuperação de autonomia, a cura do abuso, a descolonização cultural e a criação de um novo imaginário que nos libertará.
"A masturbação é a nossa vida sexual básica. É a base sexual. Tudo o que fazemos além da masturbação é simplemente a maneira que escolhemos para socializar nossa vida sexual" Betty Dodson, Liberating Masturbation. Retirado de Relatorio Hite, Shere Hite.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Conceitos de agência, individualismo liberal, discursos pós-modernos e sua cumplicidade gritante com a colonização tecnológica de nossos corpos, meio ambiente e vidas. Respaldo Ideológico da Globalização Tecnológica Patriarcal.
Sinceramente pessoas, essa história pós-moderna de que "não existe uma natureza, isso não passa de um discurso" possui implicações éticas que tinhamos que estar atenta na hora de escolher nossas compreensões da realidade. Esta no caso, é produzida no contexto atual ao meu ver, e anda ao lado da nova noção de "agência" liberal. Esse discurso é muito favorecido num contexto de novas tecnologias que dominam nossas vidas, principalmente tecnologias reprodutivas, sexuais e seu papel clássico no controle das mulheres. Sem falar da tecnologia médica, farmacêutica, e seu império, especista, patriarcal, racista, e que se tratam de um campo de Poder, e não se enganem com as mentiras ou discursos produzidos pelos mesmos, de que existem para salvar nossas vidas ou melhorá-las, esse discurso é uma fachada, a tecnologia é uma maneira de construir hegemonia e poder pelos grupos de sempre que destroem o planeta. Aí vem a galera pós-moderna aí, "subversivamente" mutante, e fala que entender os usos de tecnologias farmaceuticas, médicas e ginecológicas, industriais, é uma polícia feminista? gente, não. Natureza existe. É algo bem real. Não é discursivo, é fenomenológico: você faz uma merda com seu corpo, ele reage. A reação é uma defesa e já é cura, por mais sofrida que possa parecer, até mesmo as formas de adoecer podem ser entendidas dessa maneira, por paradoxais que sejam no caso do adoecimento psíquico (ou os tais "transtornos mentais", de humor etc). A lógica é: quanto mais próximo do vital, melhor, seja com os alimentos ou nossas vidas. É uma leitura sobre meu corpo, a reação dele aos químicos e industriais, mas minha leitura não é só um relativismo fenomenológico. Eu leio dentro dum contexto patriarcal, mas é uma coisa bem real que esse meu "corpo", essa "natureza", reage contra uma coisa real que é um "dano", físico no caso. Com esse tipo de justificativa fornecida pelo mesmo sistema que nos vende suas merdas, justificamos também que tudo é relativo, e que eu como feminista é apenas uma escolha pessoal que eu não injeto hormônios que regularizem ou controlem ou impeçam minha menstruação, que não uso absorventes industriais, mas as demais mulheres, é escolha sua se elas quiserem implantar-se um lance de hormonio por meio de cirurgia, para pararem de menstruar, e depois morrerem ou melhor, serem mortas pela política de ódio patriarcal contra nossos corpos. Não dá, desculpa feministas de 3a onda, eu não acredito nisso e podem me chamar de impositora e totalitária, mas não dá mesmo. Eu prefiro ainda a Deusa que o Ciborgue, "Dona Haraway"... É um ataque total às mulheres.
(a desenvolver mais. Pontos: especismo do império farmacêutico. racismo do império farmacêutico e das políticas reprodutivas, misoginia das teorias pós-modernas e ódio aos corpos das mulheres como eles são, compreender o ciclo medicinal agressão aos corpos-venda dos medicamentos como ataque aos corpos das mulheres, e tentar entender por que as argumentações pós-modernas em torno ao uso das tecnologias como beatriz preciado, haraway e os feminismos influenciados pela teoria de discurso e análise de discurso são tão liberais e por que são tão respaldados e difundidos, que papel jogam eles na instalação desse regime democrático ocidental patriarcal e capitalista e por que ninguém vê que isso é óbvio. Emfim lembrem-me de alongar esse post).
(a desenvolver mais. Pontos: especismo do império farmacêutico. racismo do império farmacêutico e das políticas reprodutivas, misoginia das teorias pós-modernas e ódio aos corpos das mulheres como eles são, compreender o ciclo medicinal agressão aos corpos-venda dos medicamentos como ataque aos corpos das mulheres, e tentar entender por que as argumentações pós-modernas em torno ao uso das tecnologias como beatriz preciado, haraway e os feminismos influenciados pela teoria de discurso e análise de discurso são tão liberais e por que são tão respaldados e difundidos, que papel jogam eles na instalação desse regime democrático ocidental patriarcal e capitalista e por que ninguém vê que isso é óbvio. Emfim lembrem-me de alongar esse post).
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Prostituição
A Prostituição não pode ser pensada fora do marco patriarcal e do poder masculino. Não venham me trazer o zine da mina queer do 1o mundo 'puta' livremente escolhida, não importa se as grandes mídias hegemônicas ou supostamente alternativas, ou sujeitos individuais encontram casos individuais de sujeit@s que se sentem empoderad@s na sua atividade sexual ou fonte de "renda" somente possível em um marco machista, porque no seu caso pessoal não faz x ou y coisas no sexo com o cliente. porque tem uma margem de poder muito suspeita, etc etc... Nenhuma prostituição pode ser pensada fora do marco masculinista. Aí eu leio o fanzine queer da experiência da garota que escolheu ser prostituta (e não é um garoto, né!) e ela escolhe seus níveis de subordinação... por exemplo trabalhar sendo fotografada, de repente porque o dano não é tão físico e não estão te tocando diretamente, mas está inquestionado aí que as lentes ainda são masculinas. Que o lugar social dessas lentes é masculino. Que quem vai consumir seu corpo em imagens são homens. Que mesmo que alguém não pertencente a classe masculina consuma seu corpo em imagens, não significa que lésbicas ou mulheres estão coletivamente empoderadas nem sexualmente empoderadas, nem a nível individual nem coletivo, de poder consumir imagens de outra pessoa subordinada. E principalmente, que não estamos construindo nenhuma sexualidade de igualdade, que é uma transformação substancial na condição em que vivemos a sexualidade, e nossa vida coletiva como mulheres, para além do privilégio privado de exercer qualquer prática específica e ignorar sua estética racista, branca, supremacista masculina, emfim, colonizada. Elas vendem as calcinhas delas no Ebay, mas os que compram ainda são homens. Quem tá dando o dinheiro "livre" dela é um macho, e não o contrário. Prostituição não é empoderante. Nem no nível da auto-ilusão individual.
Na prostituição não se vende um produto de um trabalho, se vende a própria disposição do corpo, a apropriação não é do trabalho e sim do corpo, como no antigo sistema escravista, o escravo era posse do senhor. A prostituição é um modo específico de servidão que não é nem a assalariada, nem o trabalho informal explorado, nem o escravismo nem a vassalagem antiga. É um fenômeno ligado ao Patriarcado e a subordinação da mulher, não pode ser entendido fora da política sexual e das relações de gênero. Ela é sobre relações de gênero, não é sobre trabalho. Não confundam, prostituição não é como um trabalho, o trabalhador entrega para o Capitalista seu trabalho, que é totalmente desumano, ficando toda vida até a morte aumentando lucros de uma empresa trabalhando pra alguém ao invés de trabalhar para si. Esse é o sistema em que vivemos e nos quais vocês estão metidos, fazendo uma faculdade, no corre pra sobreviver e usando essa página, consumindo. A prostituição não é a entrega do trabalho, é uma relação monetária onde uma pessoa pode dispôr de meu corpo, em geral uma pessoa em posição socialmente masculinizada, e nenhuma prostituta sobe de cargo ao final da vida, vê melhorias, reconhecimento social, a não ser umas poucas estrelas de mídia de mercado alternativo de pessoas modernas com dinheiro pra consumir essa cultura alt. Que veem aí, de repente, algum ideal de liberdade liberal individualista que as construiu no seio da mesma sociedade de consumo onde estão metidas.
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