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segunda-feira, 23 de julho de 2012
poliamor não pode ser um projeto lésbico ou feminista, pois sua origem é hetero-masculina-esquerdista e não genuinamente nossa. Precisamos de expressões próprias e novas de relações
Com relação à "amor livre" e "poliamor", minha ética feminista é ética de [auto] cuidado, e vem primeiro, porque mulheres vem primeiro para as éticas feministas e lésbicas. Porque a história e herstória nos mostrou que se não lutamos por nós mesmas, ninguém o fará, e não podemos esperar das revoluções, partidos, estados e organizações mais que a apropriação do nosso trabalho revolucionário no mais das vezes, assim que colocamos o feminismo e as mulheres em primeiro, nos colocamos em primeiro.
Porque é assim a ação direta de mulheres para desconstruirmos o ódio entre nós, contra nós e auto-ódio. Então eu me cago na ética anarquista, liberal. Poligamia é e foi o regime mais comum do Patriarcado, no qual se baseava a estrutura do harém. O acesso a muitas mulheres é de uma tradição machista.
Acredito que o medo a intimidade, que já vem herdado das relações capitalistas e de propriedade privada (bem disseram os teóricos do absolutismo e marquês de sade outro teórico que funda a modernidade, "o homem é o lobo do homem" na ideologia desta ordem social em que vivemos, o outro é um estranho e não me reconheço nele, mais fácil me identificar com o discurso da empresa que com @ outr@ trabalhad@r), é potencializado pelas políticas pós-modernas sexuais que vêm colonizando as comunidades lésbicas e lGBT. Seja com as teorias queer ou com outras ondas de pós-porno, etc. A promiscuidade se tornou uma agenda política de primeira ordem no lesbianismo, tanto que em alguns encontros o único que se debate agora são práticas sexuais, reproduzindo novamente a idéia hetero-patriarcal de que lesbianismo não é sobre resistência política e sim sobre sexo, logo, nada ameaçante a sociedade.
A destruição da possibilidade de cumplicidade íntima entre mulheres é uma maneira de destruir nossas comunidades e à nós mesmas, reduzindo a sexualidade a um mecanicismo grosseiro e impedindo vinculos profundos entre mulheres. Recuperando as sensações de medo e competição que já vem nos destruindo como comunidade de mulheres.
Considero quase sempre a relação aberta, uma forma de agressão e tortura psicológica mutuamente consentida num contrato coercitivo liberal e machista. Vejo que historicamente, as mulheres não tiveram segurança. Elas não podem esperar nada de um relacionamento também, ainda mais depois da contra-cultura sexual dos 70, é ser retrógrada não aceitar ser mais um objeto de troca entre homens liberados. Essa liberação privilegiada-masculina deles não é a mesma liberação que nós necessitamos.
Não temos construções de relações substanciais porque são uma ameaça ao sistema. É preferível que nos instrumentalizemos.
Relações são sobre responsabilidade, segurança, contenção também, e precisamos admitir isso. Neste mundo lesbofóbico, misógino e de capitalismo extremamente violento e vulnerador, temos necessidade de amparo mútuo e comunitário acentuado.
Emprestar expressões machistas e masculinas de anarco-movimentos já criticados pelas mulheres que neles estiveram na história, e principalmente da contra-cultura sexual (Revolução Sexual) dos 70 que não passou de um Backlash às mobilizações e avanços feministas e de mulheres, possui riscos para nós. E não passam senão de uma estratégia machista pra colonizar nossas comunidades com ódio mútuo.
Pra muitas feministas, a alternativa à relação de "pareja" é a pobreza relacional, como maneira de proteção pessoal bastante liberal. Eu não tenho nenhum acordo com essa história de que temos que ser "sozinhas", "autônomas" num sentido bem pervertido e liberal, que é o de 'única culpada de tudo'. "Lide isso você mesma". A raiva de mulheres é justificada, muitas vezes o que chamam de ciúme é reivindicação de responsabilidade e igualdade de decisões em uma relação, compromisso com o que os vínculos implicam. E implicam muita coisa.
Ninguém é 'sozinha', no sentido liberal, de que existe uma auto-subsistência totalmente individual. É preciso redefinir autonomia para não cair nos paradigmas falsos liberais que pretendem culpar a vítima e desolar sujeitos. É certo que sem sujeito não há libertação, mas tampouco sem comunidade não há libertação real e coletiva.
Sob capitalismo o apoio mútuo da relação amorosa se impôe como necessidade de auto preservação, auto defesa e sobrevivência, isso pode implicar mais vulnerabilidade e relações de dependência que podem gerar desamparo e violência doméstica, isolamento.
Minha proposta é que ao invés de uma parceria amorosa única, as lésbicas possam ter acesso a uma comunidade de mulheres onde se sentirão fortes, seguras e inteiras. Assim se quebra a monogamia, não com polícia moral anarquista e suas teses falcatruas de sempre.
O conceito de "parejo", muito criticado em língua espanhola para referir-se às relações de dependência mútua ou de simbiose dissolutiva do individual, para mim não remete somente a essa noção demonizada por feministas [liberais] e anarquistas, e sim se algo é "parejo", é porque está "igual", ou seja, "igualitário", se diz. A idéia de que "a pessoa que se arranje, os sentimentos de insegurança são delas" é incrívelmente anti solidario e liberal "isso é problema seu", foda-se você. Já a idéia de fazer toda essa merda com "cuidado" me parece o mesmo que violar com "cuidado", para que o escravo sinta-se satisfeito com o tirano da relação. A raiva de mulheres e lésbicas com esse tipo de hostilidade me parece justa, é a raiva da injustiça de coisas que não são igualitárias, que chamam 'ciúme', termo naturalizante.
Comparar o 'ciúme' com a violência machista me parece ridículo, que é uma política de ódio e não vem da natureza. Mulheres precisam sentir segurança, vivemos em contextos de vulnerabilidade. Homens não sentem isso, sentem necessidade de assegurar sua Masculinidade que se expressa pela apropriação das mulheres, seu controle e seu acesso. O término da relação é mais revolucionário que a reformação com a relação aberta. A primeira é ataque frontal a monogamia, a segunda é um reformismo grosseiro.
(reflexões não teminadas e em processo de construção)
sábado, 16 de junho de 2012
Impedir consciência de classe/ da opressão (coletiva)/ consciência coletiva/ políticas de identidade é a maneira de impedir que sujeit*s descubram que não possuem liberdade e que precisam traçar uma luta coletiva. Performance, queer, feminismo fun individualista e coisas na perspectiva de transformar qualquer coisa no âmbito privado numa "agenda de direitos" e qualquer prática privada numa "minoria", e inverter grupos com privilégios em oprimidos, na perspectiva da "restrição da liberdade" (não sendo a toa que as primeiras paradas gays dos EUA tinha participação de grupos pedófilos organizados, para quem quiser ler sobre isso busque artigo de Adrienne Rich, Sobre Mentiras, Segredos e Silêncios), com relativismo extremo, são ilusões do exercício democrático oferecidos pelo sistema liberal globalizado que permaneceu como a única alternativa possível de sociedade livre, capitalista, e só grupos com poder de definição da realidade bancado pelo privilégio material de classe e de cor podem usufruir da comodidade "democrática" no sistema capitalista. E o restante, os movimentos populares sociais, os Estados prog coptam... e a burguesia progressista se entretém com marcha das vadias, marcha lgbt, a única beneficiária desse sistema podre, a única responsável de colonizar com suas merdas teóricas.
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quinta-feira, 14 de junho de 2012
1o post sobre Políticas Liberais do Consentimento Sexual (pois quero escrever algo longo)
Eu ando bem irada com essa onda agora de consentimento, coisa que anda sendo difundida em meio anarquista principalmente de classe média, atravessado das coisas mais podres e violentas, e agora histórinha de "responsabilização do agressor", que retira todo contexto de Poder Masculino coletivo que femnistas discutiam há anos. 1o, que o prórpio conceito é extremamente machista e nunca poderia ser reivindicado numa política feminista. O conceito de consentimento significa que as mulheres dizem "sim" e podem dizê-lo, a despeito das pressões existentes, acho muito estranho operar com essa história. Outra que consentimento remete a idéia de propriedade, tipo "dou meu consentimento para que use algo x". Então o cerne é bem machista. Vou propôr uma fórmula pra vocês, pra ver se vocês conseguem concluir facinho: os meios dos pseudo libertários dos macho alfa e mulheres colonizadas pela misoginia que se fascinam tanto pela cultura masculina identificada desses espaços como pelos sujeitos e espaços (que são um antro de arrogância e exclusão em muitos níveis) e reproduzem socialização que sofremos de mães, cuidando dos caras dos espaços e etc, como toda esquerda sempre fez com as mulheres, começaram a cada vez mais haver uma visibilidade das agressões nestes ambientes, e típicas histórias conhecidas por muita gente de caras manipulativos com garotas vulnerabilizadas, e mais garotas se organizando mais autonomamente, caindo fora, e, automaticamente você vê circularem várias publicações algumas assustadoras chamadas "10 conselhos para acusados de agressão sexual" onde o cara escreve falando que foi uma falsa acusação mas mesmo assim o herói vai expôr os pontos para recomendar... outros homens acusados a como portarem-se... de modo a que? Já tiveram várias ativistas (Tamara Kooper, Courtney Desiree Morris, coisa que não verão ser difundidas por essa galera) descrevendo suas experiencias de abuso em movimentos ativistas, e elas desmascaram essas pessoas com as condutas abusivas que possuem MESMO, que não é naturalização, e como eles são carismáticos e escrevem literatura sexista ou falam em linguagem emprestada (apropriada das) do feminismo para divulgarem-se como anti-sexistas, emfim e aí eu entro no site dessas distribuidoras """anarquistas""" e se vc vai buscar alguma literatura feminista ali... no máximo vai encontrar uma parte de "genero-queer" e ali você vai encontrar todos os fanzines de "responsabilização"... quando surgem as primeiras denuncias de agressão, já aparecem essas literaturas de responsabilização de agressores e consentimento, não que de repente não tenha um lado de responsabilização (que feministas já discutiam - a responsabilização é serem reconhecidos como agentes da violencia que sao, os homens, e a penalização, porque o contrário respalda comportamento) mas o tema é como toda essa literatura dá a entender que a violência sexual é uma situação totalmente sem contexto de Poder **Masculino** principalmente, que com o papo queer desapareceu e é até crime apontar que são certos sujeitos que instauram socialmente e que efetivam esse tipo de política... ('somos todxs iguais....').
Comecei a ler essa literatura para ver se apropriava alguma coisa para uma oficinas com mulheres lésbicas sobre agressões, mas quando vejo mulheres, principalmente heteros, entrando em contato com essa literatura elas são levadas a pensar... como elas devem delimitar seus limites... e dizer o seu "sim"... honestamente, era o que faltava. Mulheres trabalharem questões para não serem agredidas. Emfim, continuo em outros posts.
Comecei a ler essa literatura para ver se apropriava alguma coisa para uma oficinas com mulheres lésbicas sobre agressões, mas quando vejo mulheres, principalmente heteros, entrando em contato com essa literatura elas são levadas a pensar... como elas devem delimitar seus limites... e dizer o seu "sim"... honestamente, era o que faltava. Mulheres trabalharem questões para não serem agredidas. Emfim, continuo em outros posts.
Processo de Responsabilização? Separatismo do it better!
Na antiga política feminista... se você estava com um agressor... as mulheres podiam estar no âmbito da escolha. Escolher se separar totalmente do agressor, desidentificar-se dele, de projetos conjuntos, de um espaço... formar o próprio. Começar nova vida. Descolonizar-se da misoginia, da heterossexualidade se possível...
Hoje com o papo queer, os agressores devem sofrer um "processo de responsabilização" e serem até mesmo perpetuados num espaço politico... a menina não vai mais ser estimulada a terminar esse vínculo e buscar seu próprio espaço político com outras mulheres... elas podem reformá-los, com o processo de responsabilização. Vamos agradecer outra vez a nossa querida revolução queer, que tanto nos libertou da tirania do feminismo "policial" que criticava as práticas prejudiciais às mulheres e recuperou o direito das instituições de erotizá-los com seus veículos hegemônicos, ops, direitos privados de consumir tais produtos sociais colonizatórios, racistas, classistas, branco e cooptadores de movimentos críticos.
Vamos recuperar a lição das separatistas: homens só vão mudar individualmente com a perda da relação, com a perda do acesso às mulheres. E coletivamente, com a separação das mulheres com relação à eles, construindo comunidades de mulheres. É nisso que eu ainda aposto, ainda que vocês me chamem essencialista por isso. depoimento de uma garota sobre como "processo de responsabilização" existe pra manter privilégio masculino de homens dentro de comunidades políticas... óbvio. Há quanto tempo as feministas não vem falando que não existe essa de "tratar" violência doméstica com terapia? Quem que ia acabar revivendo esse tipo de modelo violento pras mulheres, senão as tais "comunidades 'radicais' queer"...
Para o grau de difusão dessa literatura, principalmente pelas supostas alternativas radicais que são os movimentos de consumo alternativo de classe média que é o punk veganista queer anarco misógino, que ando vendo, precisava um post bem longo. E vai sair
Para quem quiser ver, eu vou upando algumas coisas que vejo na internet de sobreviventes nessas comunidades relatando suas experiências de segundo abuso com esses "processos de responsabilização" (vejam que esses anarko criticam sistema judicial falam que é segundo abuso com sobreviventes enfrentá-lo, porque são contra a polícia, coisa que certamente também sou, mas ninguém tá discutindo o abuso que é pra sobrevivente ser pedida para não "estereotipar" seu agressor, e as energias invertidas em responsabilizá-lo...) Vejam Accountability Process Disaster e o texto de Tamara Kooper, Espaços Ativistas não são Espaços Seguros para Mulheres.
Feministas amadas, a história do feminismo é que nós rompemos nos anos 70 com a esquerda. As feministas negras romperam com os Panteras Negras. As feministas sempre vão radicalizar e firmar seu movimento autônomo. Até as anarquistas da 1a onda fizeram isso, elas eram auto-organizadas. Chega de trabalhar pra esquerda. Chega do papel materno. Abaixo a heterossexualidade obrigatória. Vamos formar comunidade entre mulheres.
O problema da violência nas comunidades políticas tem haver com algo estrutural. A esquerda ou movimentos progressistas em geral (por isso entendo e inclui todas experiências políticas ou ativistas ou militantes mistas que sejam contra um regime político dominante) falham em algo inicial, que é que sempre vão tomar, por algum tema de privilégio masculino, o tema do sexismo como algo complementário, num ambito reformista, e quando tomam coomo algo estrutural é como um discurso, na prática eles nunca soltam as tetas das mães, nós mulheres, e as mulheres nunca deixam desse papel materno e de donas da casa e nunca deixam de trabalhar pra eles, por isso se atraem pela proposta de reformar os agressores, ao invés de fazer o luto de uma identidade e espaço político para inverter energia na construção das próprias comunidades feministas e de mulheres. O poder masculino só vai aprender perdendo acesso as mulheres, o Estado nunca vai conceder nossa libertação assim como os homens não vão dar nossa liberdade, só nossa autonomia pode nos dar. Já quanto a violência nas comunidades feministas e lésbicas, esse é um capítulo a parte... mas sempre me parece sintoma de auto agressão e coisas que invisibilizam são ao mesmo tempo nossa falta de éticas feministas, mas também nosso extremo essencialismo otimista as vezes.
O poder masculino só vai ser desconstruido por meio da perda do acesso as mulheres, onde se baseia seu privilegio, e não pela educação, porque não queremos mais ser educadoras nem nutridoras. Nao vai ser desconstruido por performance de gênero, que só oculta ainda mais os privilégios, senão é mais uma expressão do privilégio masculino, porque só os homens podem nesse sistema político, identificarem-se com a feminilidade, categoria criada pela supremacia masculina e categoria opressiva, como uma forma de "liberação" ou como empoderamento, é um privilégio masculino transitar e a nova versão liberal do feminismo é pensar que podemos também ter os privilegios deles, transitando adquirimos poder nenhum tampouco e nao passa duma ilusão de empoderamento e nojo do espelho, porque somos mulheres, um coletivo específico nao uniforme, mas sim coletivamente afetado por um traço compartido. nao reconhecermo-nos como mulheres nao ajuda em nada no 1o passo que é ganhar consciencia de classe para mover coletivamente por uma transformaçao estrutural, individualmente não reconhecer como mulheres pode nos deixar mais tranquilas, mas coletivamente parece a repetição da história de desidentificar-se da mãe subordinada, fonte de vergonha pra filha rebelde.
Vamos recuperar a lição das separatistas: homens só vão mudar individualmente com a perda da relação, com a perda do acesso às mulheres. E coletivamente, com a separação das mulheres com relação à eles, construindo comunidades de mulheres. É nisso que eu ainda aposto, ainda que vocês me chamem essencialista por isso. depoimento de uma garota sobre como "processo de responsabilização" existe pra manter privilégio masculino de homens dentro de comunidades políticas... óbvio. Há quanto tempo as feministas não vem falando que não existe essa de "tratar" violência doméstica com terapia? Quem que ia acabar revivendo esse tipo de modelo violento pras mulheres, senão as tais "comunidades 'radicais' queer"...
Para o grau de difusão dessa literatura, principalmente pelas supostas alternativas radicais que são os movimentos de consumo alternativo de classe média que é o punk veganista queer anarco misógino, que ando vendo, precisava um post bem longo. E vai sair
Para quem quiser ver, eu vou upando algumas coisas que vejo na internet de sobreviventes nessas comunidades relatando suas experiências de segundo abuso com esses "processos de responsabilização" (vejam que esses anarko criticam sistema judicial falam que é segundo abuso com sobreviventes enfrentá-lo, porque são contra a polícia, coisa que certamente também sou, mas ninguém tá discutindo o abuso que é pra sobrevivente ser pedida para não "estereotipar" seu agressor, e as energias invertidas em responsabilizá-lo...) Vejam Accountability Process Disaster e o texto de Tamara Kooper, Espaços Ativistas não são Espaços Seguros para Mulheres.
Feministas amadas, a história do feminismo é que nós rompemos nos anos 70 com a esquerda. As feministas negras romperam com os Panteras Negras. As feministas sempre vão radicalizar e firmar seu movimento autônomo. Até as anarquistas da 1a onda fizeram isso, elas eram auto-organizadas. Chega de trabalhar pra esquerda. Chega do papel materno. Abaixo a heterossexualidade obrigatória. Vamos formar comunidade entre mulheres.
O problema da violência nas comunidades políticas tem haver com algo estrutural. A esquerda ou movimentos progressistas em geral (por isso entendo e inclui todas experiências políticas ou ativistas ou militantes mistas que sejam contra um regime político dominante) falham em algo inicial, que é que sempre vão tomar, por algum tema de privilégio masculino, o tema do sexismo como algo complementário, num ambito reformista, e quando tomam coomo algo estrutural é como um discurso, na prática eles nunca soltam as tetas das mães, nós mulheres, e as mulheres nunca deixam desse papel materno e de donas da casa e nunca deixam de trabalhar pra eles, por isso se atraem pela proposta de reformar os agressores, ao invés de fazer o luto de uma identidade e espaço político para inverter energia na construção das próprias comunidades feministas e de mulheres. O poder masculino só vai aprender perdendo acesso as mulheres, o Estado nunca vai conceder nossa libertação assim como os homens não vão dar nossa liberdade, só nossa autonomia pode nos dar. Já quanto a violência nas comunidades feministas e lésbicas, esse é um capítulo a parte... mas sempre me parece sintoma de auto agressão e coisas que invisibilizam são ao mesmo tempo nossa falta de éticas feministas, mas também nosso extremo essencialismo otimista as vezes.
O poder masculino só vai ser desconstruido por meio da perda do acesso as mulheres, onde se baseia seu privilegio, e não pela educação, porque não queremos mais ser educadoras nem nutridoras. Nao vai ser desconstruido por performance de gênero, que só oculta ainda mais os privilégios, senão é mais uma expressão do privilégio masculino, porque só os homens podem nesse sistema político, identificarem-se com a feminilidade, categoria criada pela supremacia masculina e categoria opressiva, como uma forma de "liberação" ou como empoderamento, é um privilégio masculino transitar e a nova versão liberal do feminismo é pensar que podemos também ter os privilegios deles, transitando adquirimos poder nenhum tampouco e nao passa duma ilusão de empoderamento e nojo do espelho, porque somos mulheres, um coletivo específico nao uniforme, mas sim coletivamente afetado por um traço compartido. nao reconhecermo-nos como mulheres nao ajuda em nada no 1o passo que é ganhar consciencia de classe para mover coletivamente por uma transformaçao estrutural, individualmente não reconhecer como mulheres pode nos deixar mais tranquilas, mas coletivamente parece a repetição da história de desidentificar-se da mãe subordinada, fonte de vergonha pra filha rebelde.
escravidão moderna
“Eu libertei uma centena de escravos. Eu poderia ter libertado umas centenas mais se apenas el*s soubessem que eram escravos”. Harriet Tubman. via thefreeslave
(“I freed a thousand slaves. I could have freed a thousand more if only they knew they were slaves.” Harriet Tubman)
(“I freed a thousand slaves. I could have freed a thousand more if only they knew they were slaves.” Harriet Tubman)
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Conceitos de agência, individualismo liberal, discursos pós-modernos e sua cumplicidade gritante com a colonização tecnológica de nossos corpos, meio ambiente e vidas. Respaldo Ideológico da Globalização Tecnológica Patriarcal.
Sinceramente pessoas, essa história pós-moderna de que "não existe uma natureza, isso não passa de um discurso" possui implicações éticas que tinhamos que estar atenta na hora de escolher nossas compreensões da realidade. Esta no caso, é produzida no contexto atual ao meu ver, e anda ao lado da nova noção de "agência" liberal. Esse discurso é muito favorecido num contexto de novas tecnologias que dominam nossas vidas, principalmente tecnologias reprodutivas, sexuais e seu papel clássico no controle das mulheres. Sem falar da tecnologia médica, farmacêutica, e seu império, especista, patriarcal, racista, e que se tratam de um campo de Poder, e não se enganem com as mentiras ou discursos produzidos pelos mesmos, de que existem para salvar nossas vidas ou melhorá-las, esse discurso é uma fachada, a tecnologia é uma maneira de construir hegemonia e poder pelos grupos de sempre que destroem o planeta. Aí vem a galera pós-moderna aí, "subversivamente" mutante, e fala que entender os usos de tecnologias farmaceuticas, médicas e ginecológicas, industriais, é uma polícia feminista? gente, não. Natureza existe. É algo bem real. Não é discursivo, é fenomenológico: você faz uma merda com seu corpo, ele reage. A reação é uma defesa e já é cura, por mais sofrida que possa parecer, até mesmo as formas de adoecer podem ser entendidas dessa maneira, por paradoxais que sejam no caso do adoecimento psíquico (ou os tais "transtornos mentais", de humor etc). A lógica é: quanto mais próximo do vital, melhor, seja com os alimentos ou nossas vidas. É uma leitura sobre meu corpo, a reação dele aos químicos e industriais, mas minha leitura não é só um relativismo fenomenológico. Eu leio dentro dum contexto patriarcal, mas é uma coisa bem real que esse meu "corpo", essa "natureza", reage contra uma coisa real que é um "dano", físico no caso. Com esse tipo de justificativa fornecida pelo mesmo sistema que nos vende suas merdas, justificamos também que tudo é relativo, e que eu como feminista é apenas uma escolha pessoal que eu não injeto hormônios que regularizem ou controlem ou impeçam minha menstruação, que não uso absorventes industriais, mas as demais mulheres, é escolha sua se elas quiserem implantar-se um lance de hormonio por meio de cirurgia, para pararem de menstruar, e depois morrerem ou melhor, serem mortas pela política de ódio patriarcal contra nossos corpos. Não dá, desculpa feministas de 3a onda, eu não acredito nisso e podem me chamar de impositora e totalitária, mas não dá mesmo. Eu prefiro ainda a Deusa que o Ciborgue, "Dona Haraway"... É um ataque total às mulheres.
(a desenvolver mais. Pontos: especismo do império farmacêutico. racismo do império farmacêutico e das políticas reprodutivas, misoginia das teorias pós-modernas e ódio aos corpos das mulheres como eles são, compreender o ciclo medicinal agressão aos corpos-venda dos medicamentos como ataque aos corpos das mulheres, e tentar entender por que as argumentações pós-modernas em torno ao uso das tecnologias como beatriz preciado, haraway e os feminismos influenciados pela teoria de discurso e análise de discurso são tão liberais e por que são tão respaldados e difundidos, que papel jogam eles na instalação desse regime democrático ocidental patriarcal e capitalista e por que ninguém vê que isso é óbvio. Emfim lembrem-me de alongar esse post).
(a desenvolver mais. Pontos: especismo do império farmacêutico. racismo do império farmacêutico e das políticas reprodutivas, misoginia das teorias pós-modernas e ódio aos corpos das mulheres como eles são, compreender o ciclo medicinal agressão aos corpos-venda dos medicamentos como ataque aos corpos das mulheres, e tentar entender por que as argumentações pós-modernas em torno ao uso das tecnologias como beatriz preciado, haraway e os feminismos influenciados pela teoria de discurso e análise de discurso são tão liberais e por que são tão respaldados e difundidos, que papel jogam eles na instalação desse regime democrático ocidental patriarcal e capitalista e por que ninguém vê que isso é óbvio. Emfim lembrem-me de alongar esse post).
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Tal vez o que explique que os feminismos e suas correntes atuais de "gênerx", de sexualidade como escolha privada, e o anarquismo, sejam tão liberais, é de que tenham saído duma tradição de pensamento iluminista e que se desenvolveram, e nós mesmas aqui e movimentos sociais, no contexto dos Estados Modernos, contratualistas, burgueses. Tudo é uma questão de arreglar o contrato entre burgues e proletário. Se o proletário tá feliz nesse contrato, não importa se é explorado. É assim que as pessoas pensam e assim que se mobilizam. Então nenhum movimento por mais radical que pose, por exemplo @s anarquist@s, que reproduzem os mais extremos da ideologia liberal, deixa de ser institucional ou reformista, no contexto das democracias ocidentais. São colonizadas por ela, e lutam por "melhoria", para melhorar o próprio capitalismo. E por isso que ter claro isso e escolher posições políticas que não apostam no liberalismo e no contratualismo e sim em mudanças substanciais e estruturais, é uma contradição e um gasto de energias tão grande. Sempre vamos ser um ataque ao direito burguês privado, sempre vamos ser restrição a liberdade de cada burgo de explorar seus próprios explorados, e dos proletários escolherem qual exploração é a melhor porque tentamos difundir que a luta organizada é melhor que ganhos pequenos privados.
Prostituição
A Prostituição não pode ser pensada fora do marco patriarcal e do poder masculino. Não venham me trazer o zine da mina queer do 1o mundo 'puta' livremente escolhida, não importa se as grandes mídias hegemônicas ou supostamente alternativas, ou sujeitos individuais encontram casos individuais de sujeit@s que se sentem empoderad@s na sua atividade sexual ou fonte de "renda" somente possível em um marco machista, porque no seu caso pessoal não faz x ou y coisas no sexo com o cliente. porque tem uma margem de poder muito suspeita, etc etc... Nenhuma prostituição pode ser pensada fora do marco masculinista. Aí eu leio o fanzine queer da experiência da garota que escolheu ser prostituta (e não é um garoto, né!) e ela escolhe seus níveis de subordinação... por exemplo trabalhar sendo fotografada, de repente porque o dano não é tão físico e não estão te tocando diretamente, mas está inquestionado aí que as lentes ainda são masculinas. Que o lugar social dessas lentes é masculino. Que quem vai consumir seu corpo em imagens são homens. Que mesmo que alguém não pertencente a classe masculina consuma seu corpo em imagens, não significa que lésbicas ou mulheres estão coletivamente empoderadas nem sexualmente empoderadas, nem a nível individual nem coletivo, de poder consumir imagens de outra pessoa subordinada. E principalmente, que não estamos construindo nenhuma sexualidade de igualdade, que é uma transformação substancial na condição em que vivemos a sexualidade, e nossa vida coletiva como mulheres, para além do privilégio privado de exercer qualquer prática específica e ignorar sua estética racista, branca, supremacista masculina, emfim, colonizada. Elas vendem as calcinhas delas no Ebay, mas os que compram ainda são homens. Quem tá dando o dinheiro "livre" dela é um macho, e não o contrário. Prostituição não é empoderante. Nem no nível da auto-ilusão individual.
Na prostituição não se vende um produto de um trabalho, se vende a própria disposição do corpo, a apropriação não é do trabalho e sim do corpo, como no antigo sistema escravista, o escravo era posse do senhor. A prostituição é um modo específico de servidão que não é nem a assalariada, nem o trabalho informal explorado, nem o escravismo nem a vassalagem antiga. É um fenômeno ligado ao Patriarcado e a subordinação da mulher, não pode ser entendido fora da política sexual e das relações de gênero. Ela é sobre relações de gênero, não é sobre trabalho. Não confundam, prostituição não é como um trabalho, o trabalhador entrega para o Capitalista seu trabalho, que é totalmente desumano, ficando toda vida até a morte aumentando lucros de uma empresa trabalhando pra alguém ao invés de trabalhar para si. Esse é o sistema em que vivemos e nos quais vocês estão metidos, fazendo uma faculdade, no corre pra sobreviver e usando essa página, consumindo. A prostituição não é a entrega do trabalho, é uma relação monetária onde uma pessoa pode dispôr de meu corpo, em geral uma pessoa em posição socialmente masculinizada, e nenhuma prostituta sobe de cargo ao final da vida, vê melhorias, reconhecimento social, a não ser umas poucas estrelas de mídia de mercado alternativo de pessoas modernas com dinheiro pra consumir essa cultura alt. Que veem aí, de repente, algum ideal de liberdade liberal individualista que as construiu no seio da mesma sociedade de consumo onde estão metidas.
slutwalk?
A idéia da Slutwalk (Marcha das Vadias) é meio a tentativa de assimilar e transformar classe de mulheres burguesas numa identidade/mercado sexual, ou seja elevar a um tipo de mercado consumidor sexual potencial sem mudar sua condição significa de subordinação - prostitutas. Se as mulheres são sujeitos de sua sexualidade, elas só podem sê-lo na condição justamente daquelas que existem para servir e satisfazer a sexualidade masculina ou de um cliente. Além disso nunca supera a equação mulher=sexualidade. A forma de transgressão das mulhereres na ordem sexual masculina seria serem "prostitutas", não soa estranho? "Lésbicas" não seria uma transgressão maior e mais temida? A suposta agência em troca monetária é algum simbolo real de empoderamento ou auto determinação e capacidade de decisão sobre nossas vidas? Quem quer que sejamos "vagabundas"? Emfim muito hetero essa coisa. É tipo uma nova parada gay mesmo, outro showzinho dentro do sistema. Não menciono aqui nem que nenhuma dessas para numa esquina pra poder se reivindicarem "putas", nem vejo como qualquer ato solidário senão de invisibilização da realidade das mulheres. Vejo que a agenda da sexualidade individual comercial, discurso hegemônico difundido academicamente e institucionalmente, vem colonizando todos movimentos sociais, e o de mulheres não foge disso.
Há muitas coisas para serem pensadas sobre a Slut Walk e isso exige um escrito mais longo da minha parte que tengo pendente escrever. Há vários pontos a serem levantados. Uma coisa que quero trazer a reflexão em uma próxima postagem é sobre a idéia de "consentimento" sexual que rege o feminismo liberal hetero. O que acho estranho é o silenciamento geral em torno da Slut Walk, porque ninguém quer hiper criticar uma mobilização de mulheres, além do contexto delicado machista onde algumas críticas surgem. Se falo pessoalmente com feministas, quase nenhuma das que estimo têm acordo com a marcha, para além de outros problemas como politização por partidos e outros. Acho que é preciso um escrito sobre. Lembrem-me de escrever sobre isso.
Há muitas coisas para serem pensadas sobre a Slut Walk e isso exige um escrito mais longo da minha parte que tengo pendente escrever. Há vários pontos a serem levantados. Uma coisa que quero trazer a reflexão em uma próxima postagem é sobre a idéia de "consentimento" sexual que rege o feminismo liberal hetero. O que acho estranho é o silenciamento geral em torno da Slut Walk, porque ninguém quer hiper criticar uma mobilização de mulheres, além do contexto delicado machista onde algumas críticas surgem. Se falo pessoalmente com feministas, quase nenhuma das que estimo têm acordo com a marcha, para além de outros problemas como politização por partidos e outros. Acho que é preciso um escrito sobre. Lembrem-me de escrever sobre isso.
sobre liberalismo, agência e escolhas das mulheres
"Era uma vez, no início desta onda do feminismo, existia um consenso de que as escolhas das mulheres eram construídas, sobrecarregadas, emolduradas, debilitadas, constrangidas, limitadas, coagidas, formatadas, etc. pelo patriarcado. Ninguém propôs que isso significasse que as escolhas das mulheres são determinadas, ou que as mulheres eram passivas ou vítimas desamparadas do patriarcado. Isso era porque muitas mulheres acreditavam no poder do feminismo para mudar as vidas das mulheres e, obviamente, as mulheres não poderiam mudar se elas fossem socialmente determinadas nos papéis ou fossem massas maleáveis nas mãos dos patriarcas. Nós até falamos sobre maternidade compulsória e, sim, heterossexualidade compulsória! Nós falamos sobre as maneiras nas quais mulheres e jovens garotas eram calejadas na prostituição, acomodando a si mesmas no espancamento masculino, e eram canalizadas em empregos mal pagos e sem saída. E a mais moderada entre nós falou sobre a socialização do papel sexual. As mais radicais escreveram manifestos detalhando a construção patriarcal da opressão das mulheres. Mas a maioria de nós concordava que, chameo-o como quiser, as mulheres não estavam simplesmente “livres para ser eu e você”.
O tempo passou, e veio acoplada essa visão mais “matizada” do feminismo. Ela nos disse para prestarmos atenção à nossa linguagem de mulheres como vítimas. Mais mulheres foram para escolas profissionais e de graduação, tornarnaram-se “mais inteligentes”, foram recebidas no tribunal, foram para a academia, e se tornaram especialistas em indispostos tipos de campos. Elas compartilharam do poder que os deuses masculinos tinham criado e “viram que isso era bom”. Elas começaram a dizer coisas como “… Um grande cuidado necessita ser tomado para não retratar mulheres como incapazes de decisões responsáveis” (Andrews, 1987: 46).
Algumas mulheres acreditaram serem estas palavras familiares, que elas haviam as ouvido antes, mas as analistas do discurso feminista não pareciam particularmente interessadas em registrar o retorno ao que as feministas “antiquadas” classificaram como o discurso liberal patriarcal. Elas disseram que isso era chato e fora de moda e, além do mais, as mulheres já ouviram o suficiente disso, e era depressivo. Não vamos ser simplistas e culpar os homens, elas disseram, uma vez que essa análise “oferece tão poucos pontos de alavancagem para a ação, tão poucos pontos de entrada imaginativos por visões de mudança” (Snitow e outro/as, 1983: 30)."
(...)
Janice Raymond, Liberalismo Sexual e Reprodutivo
O tempo passou, e veio acoplada essa visão mais “matizada” do feminismo. Ela nos disse para prestarmos atenção à nossa linguagem de mulheres como vítimas. Mais mulheres foram para escolas profissionais e de graduação, tornarnaram-se “mais inteligentes”, foram recebidas no tribunal, foram para a academia, e se tornaram especialistas em indispostos tipos de campos. Elas compartilharam do poder que os deuses masculinos tinham criado e “viram que isso era bom”. Elas começaram a dizer coisas como “… Um grande cuidado necessita ser tomado para não retratar mulheres como incapazes de decisões responsáveis” (Andrews, 1987: 46).
Algumas mulheres acreditaram serem estas palavras familiares, que elas haviam as ouvido antes, mas as analistas do discurso feminista não pareciam particularmente interessadas em registrar o retorno ao que as feministas “antiquadas” classificaram como o discurso liberal patriarcal. Elas disseram que isso era chato e fora de moda e, além do mais, as mulheres já ouviram o suficiente disso, e era depressivo. Não vamos ser simplistas e culpar os homens, elas disseram, uma vez que essa análise “oferece tão poucos pontos de alavancagem para a ação, tão poucos pontos de entrada imaginativos por visões de mudança” (Snitow e outro/as, 1983: 30)."
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"Com a “vinda da idade” desta onda particular do feminismo, nós temos visto um deslocamento do radicalismo feminista ao liberalismo feminista. Esse liberalismo feminista é tanto causa quanto efeito da chamada pró-pornografia feminista e dos movimentos libertários sexuais feministas. O liberalismo sexual que tem vindo a ser definido como “feminismo”, nós estamos agora testemunhando novamente na esfera reprodutiva. Existem várias comparações que podem ser feitas entre liberais sexuais e reprodutivos, especialmente em suas reinvindicações da pornografia e das novas tecnologias reprodutivas. Eu quero iluminar uma dessas comparações aqui, especificamente como ambos os grupos utilizam a retórica do “direito à escolha” da mulher. Ambos liberais sexuais e reprodutivos têm investido em um antigo discurso liberal sobre a escolha com um conteúdo novo e supostamente feminista. Os liberais sexuais estão inconfortáveis em focar as mulheres como objetos e vítimas da supremacia masculina. Eles invocam uma linguagem de ir “além” das maneiras nas quais os homens objetificam, exploram e vitimizam mulheres (não a qualquer realidade de como mulheres sobrevivem por causa de suas ligações com outras mulheres, no entanto). Eles teriam-nos a tomar um “grande passo a frente” nas formas pelas quais as mulheres são agentes de, por exemplo, seus status na pornografia ou seus papéis enquanto representantes de reprodução. Raciocinando que porque as mulheres escolhem a pornografia ou a maternidade por substituição, eles argumentam que as mulheres precisam dessas “escolhas” para serem livres."
Janice Raymond, Liberalismo Sexual e Reprodutivo
Para ler o texto todo traduzido, clique em http://delivreacesso.wordpress.com/2012/02/06/liberalismo-sexual-e-reprodutivo/
Acho um bom texto para pensar a história de "agência" que agora, pelo que parece, está de moda nos escritos acadêmicos, e principalmente no feminismo de 3a onda e em nossas práticas.
Acho um bom texto para pensar a história de "agência" que agora, pelo que parece, está de moda nos escritos acadêmicos, e principalmente no feminismo de 3a onda e em nossas práticas.
Chego a pensar que o único feminismo que pode existir no capitalismo é aquele mais próximo da utopia "democrática" capitalista-liberal, onde tudo que fazemos é escolha e responsabilidade individual, liberdades aqui lidas como "consumo" pessoal. Neste sentido, propostas supostamente alternativas ou que até mesmo se reivindicam "radicais" como o queer, são facilmente assimiladas.
O problema é que, esse poder de definição da realidade descansa num privilégio de classe... quem define a realidade feminista de agora assim são feministas brancas e de classe média. Quem não tem privilégio de classe e cor não se privilegia tanto dessa história de agência. Privilegia quem está inserido neste capitalismo contemporâneo "democrático", e que pode consumir sua liberdade de mercado, exercer suas identidades privadas, etc. Mesmo assim coletivamente, qualquer um@ pode pensar que essa história beneficia a tod@s. Afinal o trabalhador não é coagido por algumas pressões institucionais e discursivas, a pensar que é explorado pelo patrão porque escolheu e que essa relação é igual, e que as classes sociais existem porque algumas pessoas simplesmente possuem mais dinheiro que você e isso é aceitável?
O problema é que, esse poder de definição da realidade descansa num privilégio de classe... quem define a realidade feminista de agora assim são feministas brancas e de classe média. Quem não tem privilégio de classe e cor não se privilegia tanto dessa história de agência. Privilegia quem está inserido neste capitalismo contemporâneo "democrático", e que pode consumir sua liberdade de mercado, exercer suas identidades privadas, etc. Mesmo assim coletivamente, qualquer um@ pode pensar que essa história beneficia a tod@s. Afinal o trabalhador não é coagido por algumas pressões institucionais e discursivas, a pensar que é explorado pelo patrão porque escolheu e que essa relação é igual, e que as classes sociais existem porque algumas pessoas simplesmente possuem mais dinheiro que você e isso é aceitável?
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