“Se você participa consciente ou inconscientemente na opressão da sua companheira negra e ela te critica, responder a sua ira com a sua somente servirá para que nossa comunicação se converta em um intercâmbio de hostilidades. Será uma perda de energías, pois não permitiremos aprender umas com as outras, e sim criar uma batalha entre nós para impor nossa verdade”.
- Audre Lorde.
Digo o mesmo para as hetero e poli feministas.
Mostrando postagens com marcador autonomia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador autonomia. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 24 de julho de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
poliamor não pode ser um projeto lésbico ou feminista, pois sua origem é hetero-masculina-esquerdista e não genuinamente nossa. Precisamos de expressões próprias e novas de relações
Com relação à "amor livre" e "poliamor", minha ética feminista é ética de [auto] cuidado, e vem primeiro, porque mulheres vem primeiro para as éticas feministas e lésbicas. Porque a história e herstória nos mostrou que se não lutamos por nós mesmas, ninguém o fará, e não podemos esperar das revoluções, partidos, estados e organizações mais que a apropriação do nosso trabalho revolucionário no mais das vezes, assim que colocamos o feminismo e as mulheres em primeiro, nos colocamos em primeiro.
Porque é assim a ação direta de mulheres para desconstruirmos o ódio entre nós, contra nós e auto-ódio. Então eu me cago na ética anarquista, liberal. Poligamia é e foi o regime mais comum do Patriarcado, no qual se baseava a estrutura do harém. O acesso a muitas mulheres é de uma tradição machista.
Acredito que o medo a intimidade, que já vem herdado das relações capitalistas e de propriedade privada (bem disseram os teóricos do absolutismo e marquês de sade outro teórico que funda a modernidade, "o homem é o lobo do homem" na ideologia desta ordem social em que vivemos, o outro é um estranho e não me reconheço nele, mais fácil me identificar com o discurso da empresa que com @ outr@ trabalhad@r), é potencializado pelas políticas pós-modernas sexuais que vêm colonizando as comunidades lésbicas e lGBT. Seja com as teorias queer ou com outras ondas de pós-porno, etc. A promiscuidade se tornou uma agenda política de primeira ordem no lesbianismo, tanto que em alguns encontros o único que se debate agora são práticas sexuais, reproduzindo novamente a idéia hetero-patriarcal de que lesbianismo não é sobre resistência política e sim sobre sexo, logo, nada ameaçante a sociedade.
A destruição da possibilidade de cumplicidade íntima entre mulheres é uma maneira de destruir nossas comunidades e à nós mesmas, reduzindo a sexualidade a um mecanicismo grosseiro e impedindo vinculos profundos entre mulheres. Recuperando as sensações de medo e competição que já vem nos destruindo como comunidade de mulheres.
Considero quase sempre a relação aberta, uma forma de agressão e tortura psicológica mutuamente consentida num contrato coercitivo liberal e machista. Vejo que historicamente, as mulheres não tiveram segurança. Elas não podem esperar nada de um relacionamento também, ainda mais depois da contra-cultura sexual dos 70, é ser retrógrada não aceitar ser mais um objeto de troca entre homens liberados. Essa liberação privilegiada-masculina deles não é a mesma liberação que nós necessitamos.
Não temos construções de relações substanciais porque são uma ameaça ao sistema. É preferível que nos instrumentalizemos.
Relações são sobre responsabilidade, segurança, contenção também, e precisamos admitir isso. Neste mundo lesbofóbico, misógino e de capitalismo extremamente violento e vulnerador, temos necessidade de amparo mútuo e comunitário acentuado.
Emprestar expressões machistas e masculinas de anarco-movimentos já criticados pelas mulheres que neles estiveram na história, e principalmente da contra-cultura sexual (Revolução Sexual) dos 70 que não passou de um Backlash às mobilizações e avanços feministas e de mulheres, possui riscos para nós. E não passam senão de uma estratégia machista pra colonizar nossas comunidades com ódio mútuo.
Pra muitas feministas, a alternativa à relação de "pareja" é a pobreza relacional, como maneira de proteção pessoal bastante liberal. Eu não tenho nenhum acordo com essa história de que temos que ser "sozinhas", "autônomas" num sentido bem pervertido e liberal, que é o de 'única culpada de tudo'. "Lide isso você mesma". A raiva de mulheres é justificada, muitas vezes o que chamam de ciúme é reivindicação de responsabilidade e igualdade de decisões em uma relação, compromisso com o que os vínculos implicam. E implicam muita coisa.
Ninguém é 'sozinha', no sentido liberal, de que existe uma auto-subsistência totalmente individual. É preciso redefinir autonomia para não cair nos paradigmas falsos liberais que pretendem culpar a vítima e desolar sujeitos. É certo que sem sujeito não há libertação, mas tampouco sem comunidade não há libertação real e coletiva.
Sob capitalismo o apoio mútuo da relação amorosa se impôe como necessidade de auto preservação, auto defesa e sobrevivência, isso pode implicar mais vulnerabilidade e relações de dependência que podem gerar desamparo e violência doméstica, isolamento.
Minha proposta é que ao invés de uma parceria amorosa única, as lésbicas possam ter acesso a uma comunidade de mulheres onde se sentirão fortes, seguras e inteiras. Assim se quebra a monogamia, não com polícia moral anarquista e suas teses falcatruas de sempre.
O conceito de "parejo", muito criticado em língua espanhola para referir-se às relações de dependência mútua ou de simbiose dissolutiva do individual, para mim não remete somente a essa noção demonizada por feministas [liberais] e anarquistas, e sim se algo é "parejo", é porque está "igual", ou seja, "igualitário", se diz. A idéia de que "a pessoa que se arranje, os sentimentos de insegurança são delas" é incrívelmente anti solidario e liberal "isso é problema seu", foda-se você. Já a idéia de fazer toda essa merda com "cuidado" me parece o mesmo que violar com "cuidado", para que o escravo sinta-se satisfeito com o tirano da relação. A raiva de mulheres e lésbicas com esse tipo de hostilidade me parece justa, é a raiva da injustiça de coisas que não são igualitárias, que chamam 'ciúme', termo naturalizante.
Comparar o 'ciúme' com a violência machista me parece ridículo, que é uma política de ódio e não vem da natureza. Mulheres precisam sentir segurança, vivemos em contextos de vulnerabilidade. Homens não sentem isso, sentem necessidade de assegurar sua Masculinidade que se expressa pela apropriação das mulheres, seu controle e seu acesso. O término da relação é mais revolucionário que a reformação com a relação aberta. A primeira é ataque frontal a monogamia, a segunda é um reformismo grosseiro.
(reflexões não teminadas e em processo de construção)
domingo, 22 de julho de 2012
the spinster and her enemies...!
"Você prefere garotos ou garotas?".
"Eu não gosto de garotos!!"
"Eu gosto de Netflix" (sei lá que porra é essa)
"e pássaros!"
assim é um ser saudável e autônomo que a sociedade corrompe pra tornar em um ser sexuado e submisso...
autonomia sexual.
"Eu não gosto de garotos!!"
"Eu gosto de Netflix" (sei lá que porra é essa)
"e pássaros!"
assim é um ser saudável e autônomo que a sociedade corrompe pra tornar em um ser sexuado e submisso...
autonomia sexual.
Este é o Poder da minha Imaginação
Escrevi um lance que é meio que uma escrita exercício de imaginação ativa, resultado de uma introspecção pessoal e dos próprios processos constantes de superação pessoal. É algo meio dedicado mais ao trabalho interno de cada uma de nós mais que nada, que não significa que ignoramos o fato de que não existem sistemas oprimindo, isso remete-se ao trabalho que temos que fazer com nós mesmas. É algo pensado em relação àquelas e talvez aquel*s que sejam sobreviventes de algum modo por suas experiências na vida. Acho que mulheres somos todas sobreviventes do Patriarcado e da violência masculina em geral, pois individualmente dificilmente escapamos dela.
Espero que ajude algo.
Para todas irmãs e em primeiro lugar para minhas irmãs.
Para todas irmãs e em primeiro lugar para minhas irmãs.
______________________________________________________________________________
Sou independente de você. Minha mente é independente de você. Minha vida é independente da sua. Minha confiança é minha. Em minha imaginação você é um vulto apagado e insignificante. Eu sou livre, um animal livre, forte e cheio de energia. Sou como um cavalo selvagem que se desvencilhou, correndo livre, arrebatado, sem nem saber que força o toma. Eu fui muito mais longe e longe, e sua imagem se tornou cada vez mais irreconhecível até desaparecer no horizonte ultrapassado pelos meus passos velozes indo e indo cada vez mais longe. Minha força é muito maior que a sua. Está dentro de mim, gigantesca, e ao mesmo tempo está na Natureza, conectada com a Terra e transcendental, para além de mim mesma.
Alimentada direto pelo cordão umbilical que me une a vida, que mantenho intacta, que recuperei perdida. Eu fui muito mais longe e estou começando a acreditar na minha força e valor, a descobrir e recuperar minha capacidade escondida de mim mesma e a conhecer minha energia avassalora escondida, vital, sou como um felino selvagem que esteve cativo e destruiu suas jaulas com sua prórpia força adormecida em seus músculos, que descobre a fúria de seus próprios passos, que correm até o infinito em busca desconhecida. Despertando a energia dormida nos músculos que estiveram inativos pelo medo tantos anos. Nada segurará, deterá, a fúria assusta e vence a todos que tentarem aprisionar outra vez, serão destruídos e serão deixados pelos meus passos indomáveis.
Esse é o poder da minha imaginação.
É assim que eu me vejo.
...
...
...
eu escrevo isso para que mulheres vertam sobre si imaginação poderosa, que nos vai curar.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
apropriar-nos da solidão e recuperarmos seu sentido para destruir o Patriarcado.
Sinceramente eu penso que mais que a lésbica, a mulher sozinha é uma ameaça fundamental ao Patriarcado. Ainda no lesbianismo (segundo a construção recorrente de relações) se está refém do outro. A construção social de que se 'necessita' do outro para satisfazer-se sexualmente (idéia extremamente generalizada que chega a transformar a masturbação num produto de um original que seria a 'relação sexual' com alguém quando as relações sexuais é que são um produto da masturbação que é a sexualidade realmente original), emocionalmente, ou o que seja, existe sempre um margem de dependência e mesmo os discursos biologicistas denotam que se travam relações com base numa suposta 'natureza' desta necessidade, não como um compartir genuíno de duas vidas. As relações são compulsórias. E é completamente vedada à nós imagens das mulheres sozinhas, e se há são retratadas como: velhinhas, mulher-madura, ou viúvas e divorciadas, mulheres que já 'oh', tiveram relações duradouras com homens então ok, já executaram suas funções reprodutivas e sexuais necessárias ao sistema, e tantos outros estereótipos forjados negativizando a solidão. A solidão também nos é retratada como enfeiando-nos, fracassando-nos, enquanto que os homens não existe imagem correspondente, em geral se aceita que são 'solitários' que fazem suas vidas por si mesmos, e que relações são ocasionais no máximo. A mulher sozinha é uma 'infeliz'. Está profundamente na cultura e na nossa criação, a necessidade do Outro, a mulher boa é a mulher bem acompanhada, devidamente escoltada pelo sistema. A mulher erotizada pela colonização do sistema, devidamente satisfeita sexualmente por este, necessidade também inventada. Seja satisfeita sexualmente pela inventada 'necessidade do pênis' heterosexista obrigatória, seja satisfeita pela 'pareja' ou por uma pessoa, outra obrigatoriedade do sistema usada para cooptar formas de vida dissidentes como a lésbica, 'as lesbianas são adictas a relações' se diz. Por que? Porque não escapamos do marco da feminilidade hegemônica, onde uma mulher é insuficiente em si e sem o falo, a faltante. Não saimos do marco simbólico da 'faltante' atribuido pelo Patriarcado, para recuperar autoerotismo e autogestão espiritual e sexual. A solidão é extremamente proibida as mulheres, porque é a fonte da autonomia revolucionária que nos libertaria desde o mais profundo.
terça-feira, 17 de julho de 2012
consenso ou consentimento?
Qual conceito é pior, consenso ou consentimento? Pensava que o último era muito contratualista e machista, e implicava coerção, mas o consenso também remete a âmbitos de decisão coletivizada onde desaparece a individualidade. O consentimiento neste caso remete a campo de poder individual de decisão. Mas eu ainda não gosto de nenhum. "Consensual" me remete a algo mais igualitário, construído conjuntamente e democrático que "consentido" que parece responsabilizar a vítima ou pôr tudo em cima do sujeito (ele tem agência, sabe o que tá fazendo, está decidindo que arque com as consequencias).
Achei um poster interessante ontem, uma das primeiras coisas que vi criticando o processo de acontabilidade visivelmente, por not your cyster press. Segue abaixo, logo uma tradução (tamanho maior aqui, o pdf do cartaz).
"Toque me e eu te mato" "o processo de responsabilização é uma fraude porque muitos sobreviventes são forçados a re-viver seus assaltos sempre e sempre, e estupradores e assaltantes sexuais são dados um passe em sua violência, acontabilidade comunitária é uma mentira porque a comunidade em si mesma é uma mentira. Ao invés disso, nós oferecemos uma solução modesta para o processo que cria e mantém nossa vitimização: Vamos recusar-nos a sermos vítimas. Vamos fazê-los sofrer."
Acho tendenciosa a justiça transformativa. Mas isso não significa que não seja necessário fazer o debate sobre um feminismo aboliconista penal e carcerário. Formas de justiça popular e comunitária são possíveis e melhores. Mas devem estar nas mãos das mulheres e visar que os homens perdam. Isso rende outro post sobre feminismo anti penal.
Achei um poster interessante ontem, uma das primeiras coisas que vi criticando o processo de acontabilidade visivelmente, por not your cyster press. Segue abaixo, logo uma tradução (tamanho maior aqui, o pdf do cartaz).
"Toque me e eu te mato" "o processo de responsabilização é uma fraude porque muitos sobreviventes são forçados a re-viver seus assaltos sempre e sempre, e estupradores e assaltantes sexuais são dados um passe em sua violência, acontabilidade comunitária é uma mentira porque a comunidade em si mesma é uma mentira. Ao invés disso, nós oferecemos uma solução modesta para o processo que cria e mantém nossa vitimização: Vamos recusar-nos a sermos vítimas. Vamos fazê-los sofrer."
Acho tendenciosa a justiça transformativa. Mas isso não significa que não seja necessário fazer o debate sobre um feminismo aboliconista penal e carcerário. Formas de justiça popular e comunitária são possíveis e melhores. Mas devem estar nas mãos das mulheres e visar que os homens perdam. Isso rende outro post sobre feminismo anti penal.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
raiva
"Raiva pode libertar você – raiva pode ser o começo de ver e saber suas próprias verdades". - Rebecca Mott, feminista radical e sobrevivente de prostituição.
Marcadores:
abolicionismo,
auto-defesa,
autonomia,
prostituição,
radical,
raiva,
saúde,
segurança,
separatismo,
sobreviventes de abuso e violência,
sororidade
quinta-feira, 14 de junho de 2012
“Qualquer ataque à solteira é inevitavelmente um ataque à lésbica. O direito das mulheres de serem lésbicas depende do nosso direito a existir fora de relacionamentos sexuais com homens. Quando as lésbicas são estigmatizadas e insultadas, então, também, todas as mulheres que vivem independentemente de um homem.”
— Sheila Jeffreys, The Spinster and her Enemies.
— Sheila Jeffreys, The Spinster and her Enemies.
Assinar:
Postagens (Atom)

