Alguém poderia pensar que isso teria sido logicamente uma das primeiras questões a serem feitas, e é indubitável a razão pela qual algumas feministas na França (por exemplo, Guillaumin, 1982; Mathieu, 1980; e Wittig, 1992) tivessem se oposto a usar o termo 'gênero'. Elas acreditavam que isso reinforçava a idéia de que 'sexo' em si mesmo é puramente natural. De qualquer modo, não usar o conceito de gênero não significa que alguém assim dirigiria questões à característica natural do sexo. Então economisando no conceito de gênero não parece pra mim a melhor maneira de progredir .
- Christine Delphy, rethinking sex and gender
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segunda-feira, 23 de julho de 2012
"Portanto, a escravização de mulheres, combinando tanto o racismo como o sexismo, precedeu à formação das classes e da opressão de classe. As diferenças de classe eram, no início, expressas e constituídas em termos de relações patriarcais. A classe não é um constructo separado do gênero; antes, a classe é expressa em termos de gênero"
- Gerda Lerner
sexta-feira, 20 de julho de 2012
"Todas feministas rejeitam a hierarquia sexo/gênero, mas muito poucas estão preparadas para admitir que a consequência lógica desta rejeição é a recusa dos papéis de sexo, e a desaparição do gênero. Feministas parecem querer abolir a hierarquia e até mesmo os papéis sexuais, mas não a diferença em si mesma. Elas querem abolir os conteúdos mas não o container. Elas querem manter alguns elementos do gênero. Algumas querem manter mais, outras menos, mas ao menos elas querem manter a classificação"
- Christine Delphy
quarta-feira, 18 de julho de 2012
"Mulheres são um *sexo*. Mulheres são um grupo separado devido a sua distinção biológica. O mérito de usar o termo é de que ele claramente define as mulheres, não como um subgrupo ou um grupo minoritário, mas metade do todo. Homens são o único outro sexo. Obviamente, não estamos aqui nos referindo à atividade sexual, mas a um dado biológico. Pessoas pertencendo a um ou outro sexo são capazes de e podem ser agrupadas de acordo com uma ampla variedade de preferências sexuais e atividades.
*Gênero* é a definição cultural do comportamento definido como apropriado para os sexos em uma dada sociedade num determinado tempo. O gênero é um conjunto de papéis culturais. É um costume, uma máscara, uma camisa-de-força na qual homens e mulheres dançam sua dança desigual. Infelizmente, o termo é usado tanto no discurso acadêmico e na mídia como intercambiável com o "sexo". Na verdade, seu público generalizado o utiliza provavelmente devido a ele soar um tanto mais "refinado" do que a simples palavra "sexo" com suas conotações "desagradáveis". Tal uso é infeliz, porque ele esconde e mistifica a diferença entre o biologicamente dado - o sexo - e o culturalmente criado - o gênero. Feministas mais do que todos deveriam querer pontuar essa diferença e deveriam, assim, ser cautelosas ao usar as palavras apropriadas."
- Gerda Lerner
*Gênero* é a definição cultural do comportamento definido como apropriado para os sexos em uma dada sociedade num determinado tempo. O gênero é um conjunto de papéis culturais. É um costume, uma máscara, uma camisa-de-força na qual homens e mulheres dançam sua dança desigual. Infelizmente, o termo é usado tanto no discurso acadêmico e na mídia como intercambiável com o "sexo". Na verdade, seu público generalizado o utiliza provavelmente devido a ele soar um tanto mais "refinado" do que a simples palavra "sexo" com suas conotações "desagradáveis". Tal uso é infeliz, porque ele esconde e mistifica a diferença entre o biologicamente dado - o sexo - e o culturalmente criado - o gênero. Feministas mais do que todos deveriam querer pontuar essa diferença e deveriam, assim, ser cautelosas ao usar as palavras apropriadas."
- Gerda Lerner
terça-feira, 17 de julho de 2012
intelecto proibido a oprimida
"Um exemplo deste tipo de revelação/conceptualização ocorreu em uma juntada na qual discutimos as maneiras em que nossos interesses intelectuais haviam sido atacados por nossos iguais, em particular pelos homens Negros. Todas descobrimos que porque eramos “inteligentes” também nos consideravam “feias”, isso é, “inteligente-feia” Ser “inteligente-feia” pôs em evidência que todas havíamos sido obrigadas a desenvolver nossos intelectos ao grande custo das nossas vidas “sociais”. As sanções das comunidades Negras e brancas contra as pensadoras Negras são muito altas em comparação às mulheres brancas, em particular às educadas de classe média e alta." (manifesto rio combahee river)
Os homens sempre são massa quando são intelectuais. A identificação com a intelectualidade é uma linguagem da guerra (vencer, retórica, argumentos, disputa, lógica, razão). garotas burguesas privilegiadas também são maneiras quando são principalmente queer-academicas com vocabulario arrojado falando só o que o sistema quer ouvir. o conhecimento que parte de nossa experiência, vivência e corpo sempre foi desvalorizado. daí partiu a teoria feminista. falam que somos ilegítimas e desqualificadas em nosso 'método'. Que o feminismo antigo é ilógico (segunda onda), essencialista, universalizante, e qualquer outra nota de não ter passado no exame vestibular da pertença ao patriarcado branco neoliberal. ser mulher pensante de verdade é arriscado. Se ainda pensamos o que o sistema quer, nos gratificam. Não ser pertencente à verborragia trendie burguesa pseudo-prog universitariazante significa não ser ouvida e não estar dizendo nada. 'a mulher não existe', afinal.
Os homens sempre são massa quando são intelectuais. A identificação com a intelectualidade é uma linguagem da guerra (vencer, retórica, argumentos, disputa, lógica, razão). garotas burguesas privilegiadas também são maneiras quando são principalmente queer-academicas com vocabulario arrojado falando só o que o sistema quer ouvir. o conhecimento que parte de nossa experiência, vivência e corpo sempre foi desvalorizado. daí partiu a teoria feminista. falam que somos ilegítimas e desqualificadas em nosso 'método'. Que o feminismo antigo é ilógico (segunda onda), essencialista, universalizante, e qualquer outra nota de não ter passado no exame vestibular da pertença ao patriarcado branco neoliberal. ser mulher pensante de verdade é arriscado. Se ainda pensamos o que o sistema quer, nos gratificam. Não ser pertencente à verborragia trendie burguesa pseudo-prog universitariazante significa não ser ouvida e não estar dizendo nada. 'a mulher não existe', afinal.
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segunda-feira, 11 de junho de 2012
Conceitos de agência, individualismo liberal, discursos pós-modernos e sua cumplicidade gritante com a colonização tecnológica de nossos corpos, meio ambiente e vidas. Respaldo Ideológico da Globalização Tecnológica Patriarcal.
Sinceramente pessoas, essa história pós-moderna de que "não existe uma natureza, isso não passa de um discurso" possui implicações éticas que tinhamos que estar atenta na hora de escolher nossas compreensões da realidade. Esta no caso, é produzida no contexto atual ao meu ver, e anda ao lado da nova noção de "agência" liberal. Esse discurso é muito favorecido num contexto de novas tecnologias que dominam nossas vidas, principalmente tecnologias reprodutivas, sexuais e seu papel clássico no controle das mulheres. Sem falar da tecnologia médica, farmacêutica, e seu império, especista, patriarcal, racista, e que se tratam de um campo de Poder, e não se enganem com as mentiras ou discursos produzidos pelos mesmos, de que existem para salvar nossas vidas ou melhorá-las, esse discurso é uma fachada, a tecnologia é uma maneira de construir hegemonia e poder pelos grupos de sempre que destroem o planeta. Aí vem a galera pós-moderna aí, "subversivamente" mutante, e fala que entender os usos de tecnologias farmaceuticas, médicas e ginecológicas, industriais, é uma polícia feminista? gente, não. Natureza existe. É algo bem real. Não é discursivo, é fenomenológico: você faz uma merda com seu corpo, ele reage. A reação é uma defesa e já é cura, por mais sofrida que possa parecer, até mesmo as formas de adoecer podem ser entendidas dessa maneira, por paradoxais que sejam no caso do adoecimento psíquico (ou os tais "transtornos mentais", de humor etc). A lógica é: quanto mais próximo do vital, melhor, seja com os alimentos ou nossas vidas. É uma leitura sobre meu corpo, a reação dele aos químicos e industriais, mas minha leitura não é só um relativismo fenomenológico. Eu leio dentro dum contexto patriarcal, mas é uma coisa bem real que esse meu "corpo", essa "natureza", reage contra uma coisa real que é um "dano", físico no caso. Com esse tipo de justificativa fornecida pelo mesmo sistema que nos vende suas merdas, justificamos também que tudo é relativo, e que eu como feminista é apenas uma escolha pessoal que eu não injeto hormônios que regularizem ou controlem ou impeçam minha menstruação, que não uso absorventes industriais, mas as demais mulheres, é escolha sua se elas quiserem implantar-se um lance de hormonio por meio de cirurgia, para pararem de menstruar, e depois morrerem ou melhor, serem mortas pela política de ódio patriarcal contra nossos corpos. Não dá, desculpa feministas de 3a onda, eu não acredito nisso e podem me chamar de impositora e totalitária, mas não dá mesmo. Eu prefiro ainda a Deusa que o Ciborgue, "Dona Haraway"... É um ataque total às mulheres.
(a desenvolver mais. Pontos: especismo do império farmacêutico. racismo do império farmacêutico e das políticas reprodutivas, misoginia das teorias pós-modernas e ódio aos corpos das mulheres como eles são, compreender o ciclo medicinal agressão aos corpos-venda dos medicamentos como ataque aos corpos das mulheres, e tentar entender por que as argumentações pós-modernas em torno ao uso das tecnologias como beatriz preciado, haraway e os feminismos influenciados pela teoria de discurso e análise de discurso são tão liberais e por que são tão respaldados e difundidos, que papel jogam eles na instalação desse regime democrático ocidental patriarcal e capitalista e por que ninguém vê que isso é óbvio. Emfim lembrem-me de alongar esse post).
(a desenvolver mais. Pontos: especismo do império farmacêutico. racismo do império farmacêutico e das políticas reprodutivas, misoginia das teorias pós-modernas e ódio aos corpos das mulheres como eles são, compreender o ciclo medicinal agressão aos corpos-venda dos medicamentos como ataque aos corpos das mulheres, e tentar entender por que as argumentações pós-modernas em torno ao uso das tecnologias como beatriz preciado, haraway e os feminismos influenciados pela teoria de discurso e análise de discurso são tão liberais e por que são tão respaldados e difundidos, que papel jogam eles na instalação desse regime democrático ocidental patriarcal e capitalista e por que ninguém vê que isso é óbvio. Emfim lembrem-me de alongar esse post).
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na hora de escolher nossos feminismos...
Uma fórmula importante para feministas:
"Se os homens gostam de alguma tendência em particular do feminismo, isso significa que não está funcionando."
("If men like a particular brand of feminism, it means it is not working" Julie Bindel)
ficaadica.
"Se os homens gostam de alguma tendência em particular do feminismo, isso significa que não está funcionando."
("If men like a particular brand of feminism, it means it is not working" Julie Bindel)
ficaadica.
Por que o racismo é uma questão feminista?
"A razão pela qual racismo é uma questão feminista é facilmente explicada pela inerente definição de feminismo. Feminismo é a teoria política e prática que luta para libertar TODAS mulheres: mulheres d cor, trabalhadoras, pobres, descapacitadas, lésbicas, idosa - assim como brancas, economicamente privilegiadas, heterossexuais. Qualquer coisa menos que essa visão de liberdade total não é feminismo, mas apenas auto-agrandecimento feminino.
Deixe-me deixar claro que neste ponto, antes de ir mais além, algo que você têm que entender. Mulheres brancas não trabalham no racismo para fazer um favor a alguém, apenas para benefício das mulheres terceiromundistas. Você tem que compreender como racismo distorce e reduz nossas próprias vidas assim como mulheres brancas - que racismo afeta suas chances de sobrevivencia também, e que é realmente definitivamente uma questão sua também. Até que você entenda isso, nenhuma mudança fundamental vai acontecer.
Eu também sinto que o movimento de mulheres vai lidar com o racismo numa maneira que não havia sido lidado antes em qualquer outro movimento: fundamentalmente, organicamente, e não-retoricamente. Mulheres brancas têm uma relação materialmente diferente com o sistema do racismo que os homens brancos. Elas escapam menos deste e muitas vezes funcionam como seus peões, independente se reconhecem este fato ou não. Isso é algo que viver sob o reinado branco-masculino nos impôs; e derrubar o sistema do racismo é um trabalho inerente ao feminismo e, por extensão, dos estudos feministas"
Barbara Smith, “Racism and Women’s Studies”, All the Women are White, all the Blacks are Men, But Some of Us Are Brave.
Sempre que eu posto por aí escritos sobre feminismo pensar o racismo, e assumí-lo como questão central, as feministas brancas nunca dão muita bola. Eu gostaria de ver isso mudar, porque precisamos muito pensar sobre isso. O racismo como uma estrutura social política, é inerente ao Patriarcado, a Supremacia Masculina é inerentemente Branca, e nossos esforços são inúteis se não destruímos os dois simultaneamente. Devíamos começar a desconstruir essa história de que só nos interessamos no feminismo branco e que o feminismo negro é ininteligível pra gente e é um feminismo de certos sujeitos e unicamente destes. Obviamente que estou falando de nós, feministas brancas.
Deixe-me deixar claro que neste ponto, antes de ir mais além, algo que você têm que entender. Mulheres brancas não trabalham no racismo para fazer um favor a alguém, apenas para benefício das mulheres terceiromundistas. Você tem que compreender como racismo distorce e reduz nossas próprias vidas assim como mulheres brancas - que racismo afeta suas chances de sobrevivencia também, e que é realmente definitivamente uma questão sua também. Até que você entenda isso, nenhuma mudança fundamental vai acontecer.
Eu também sinto que o movimento de mulheres vai lidar com o racismo numa maneira que não havia sido lidado antes em qualquer outro movimento: fundamentalmente, organicamente, e não-retoricamente. Mulheres brancas têm uma relação materialmente diferente com o sistema do racismo que os homens brancos. Elas escapam menos deste e muitas vezes funcionam como seus peões, independente se reconhecem este fato ou não. Isso é algo que viver sob o reinado branco-masculino nos impôs; e derrubar o sistema do racismo é um trabalho inerente ao feminismo e, por extensão, dos estudos feministas"
Barbara Smith, “Racism and Women’s Studies”, All the Women are White, all the Blacks are Men, But Some of Us Are Brave.
Sempre que eu posto por aí escritos sobre feminismo pensar o racismo, e assumí-lo como questão central, as feministas brancas nunca dão muita bola. Eu gostaria de ver isso mudar, porque precisamos muito pensar sobre isso. O racismo como uma estrutura social política, é inerente ao Patriarcado, a Supremacia Masculina é inerentemente Branca, e nossos esforços são inúteis se não destruímos os dois simultaneamente. Devíamos começar a desconstruir essa história de que só nos interessamos no feminismo branco e que o feminismo negro é ininteligível pra gente e é um feminismo de certos sujeitos e unicamente destes. Obviamente que estou falando de nós, feministas brancas.
domingo, 10 de junho de 2012
Por que me nomeio lésbica por Cheryl Clarke
"Eu me nomeio 'lésbica' porque essa cultura oprime, silencia e destrói as lésbicas, mesmo as lésbicas que não chamam a elas mesmas como 'lésbicas'. Eu nomeio a mim mesma 'lésbica' porque eu quero ser visível para outras lésbicas negras. Eu nomeio a mim mesma 'lésbica' porque eu não quero subscrever-me à heterosexualidade predatória/ institucionalizada. Eu me nomeio lésbica porque eu quero estar com mulheres (e elas todas não têm que chamarem-se a si mesmas 'lésbicas'). Eu me nomeio 'lésbica' porque é parte da minha visão. Eu nomeio a mim mesma lésbica porque ser mulher-identificada foi o que veio me mantendo sã. Eu chamo a mim mesma 'Negra', também, porque Negra é a minha perspectiva, minha Estética, minhas políticas, minha visão, minha sanidade" -
- Cheryl Clarke, em "Novas Notas em Lesbianismo".
- Cheryl Clarke, em "Novas Notas em Lesbianismo".
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